Blair se recusa a marcar data para sua saída do Governo

O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, desafiou seus críticos e se negou a fixar uma data para sua saída do Governo, insistindo que não tem intenção de falar sobre seu futuro antes da Conferência Trabalhista deste mês.Em entrevista publicada nesta sexta-feira pelo jornal britânico "The Times", o líder trabalhista considerou que seus correligionários deveriam "abandonar a obsessão" com a liderança do partido para se dedicar às tarefas de Governo.O primeiro-ministro do Reino Unido enfrenta uma queda vertiginosa dos trabalhistas nas enquetes e uma rebelião em suas próprias fileiras. Cada vez mais membros do partido pedem que ele fixe uma data para deixar o cargo."Farei o que for melhor para o país e o partido, para, quando chegar o momento, minha partida acontecer de forma estável, sensata e ordenada", disse, ressaltando que, enquanto isso, pretende continuar "com a tarefa de ser primeiro-ministro".Blair anunciou em setembro de 2004 que não disputaria a reeleição novamente, após as eleições antecipadas de 2005. Ele admitiu que as enquetes são "difíceis" para o Partido Trabalhista, que perde para conservadores por uma diferença de sete a nove pontos."Mas nosso problema nas enquetes vai aumentar se as pessoas acharem que estamos paralisados como Governo ou que perdemos fôlego debatendo a mudança de liderança", alertou.O primeiro-ministro negou que tenha a intenção de se manter de forma indefinida no poder. Ele diz que não faz "mais do que qualquer outro primeiro-ministro na mesma situação"."Darei tempo de sobra a meu sucessor", prometeu Blair.Durante a entrevista, Blair não confirmou se a próxima conferência Trabalhista, de 24 ao 28 de setembro, em Manchester, seria a sua última como líder do partido. Ele pediu o fim das especulações.Blair vai discursar na conferência de Manchester logo depois de seu ministro das Finanças, Gordon Brown, considerado o sucessor natural.

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