Blair sustenta que Saddam tinha armas proibidas

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse nesta segunda-feira que as evidências de que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa eram "complemente verdadeiras", respondendo assim às acusações de que a coalizão encabeçada pelos EUA mentiu e falsificou informações dos serviços para obter apoio para a invasão do Iraque.?Confio plenamente, cem por cento, nas evidências recolhidas pelos trabalhos de inteligência e que apresentamos publicamente?, disse Blair durante uma entrevista coletiva após participar da reunião de cúpula do G-8. Segundo Blair, as acusações são ?completas e totalmente falsas?.Blair e o presidente dos EUA, George W. Bush, utilizaram as supostas armas de destruição em massa como justificativa para a guerra contra o Iraque. No entanto, a falta de provas sobre estas armas podem se transformar em um problema político para Blair e abalar sua credibilidade no exterior.Ex-aliados de Blair, muitos dentro do partido Trabalhista, colocaram em dúvida as afirmações do primeiro-ministro diante da falta de provas. ?Concluímos que Blair decidiu pela guerra em algum momento de agosto e enganou a todos?, disse Clare Short, que renunciou ao cargo na secretaria de Desenvolvimento Internacional, como protesto contra políticas de Blair.?Estamos a cinco ou seis semanas do final do conflito. A prioridade é restabelecer os serviços humanitários básicos ao povo do Iraque?, disse Blair afirmando que os inspetores de armas devem desembarcar no Iraque no final-de-semana para intensificar as buscas por armamentos proibidos.Uma equipe de especialistas da Agência Internacional de Energia Atômica viajará no final desta semana ao Iraque, segundo anunciou a ONU.Os inspetores deixaram o Iraque antes do começo da invasão em março. Os EUA tentaram manter a AIEA longe do Iraque, mas aceitaram o retorno dos inspetores da organização após pressões de outros países preocupados com a segurança do complexo nuclear de Tuwaitha, saqueado logo após a invasão norte-americana.Enquanto Blair se defende das acusações e os EUA se vêem obrigados a ceder às pressões internacionais, o ministro da Defesa da Austrália, Robert Hill, exigiu um ?exaustivo exame dos dados de inteligência sobre os Iraque obtido antes da guerra?. A Austrália foi o maior aliado da coalizão anglo-americana no Iraque.Em Moscou, o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Yuri Fedotov, disse que as buscas por armas de destruição em massa no Iraque não devem continuar por tempo indeterminado. Fedotov disse que a Rússia está disposta a aceitar qualquer informe sobre as buscas de armas, desde que os EUA entreguem todos os documentos ao Conselho de Segurança da ONU.

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