Blair volta a depor sobre guerra do Iraque e defende invasão

Ex-premiê britânico diz que apoiou ação contra Saddam Hussein mesmo sem resolução da ONU

Estadão.com.br

21 de janeiro de 2011 | 10h04

Britânicos protestam do lado de fora da corte.

 

LONDRES - Em seu segundo depoimento ante a comissão que investiga a participação do Reino Unido na guerra do Iraque, o ex-premiê britânico Tony Blair, que estava à frente do país na época do conflito, declarou que estava decidido a desarmar o ditador Saddam Hussein, embora existissem questões legais envolvidas na guerra.

 

Blair, que deve ser interrogado por quatro ou cinco horas nesta sexta-feira, 21, de acordo com as informações da agência AFP, disse em declaração escrita apresentada à comissão que havia transmitido em 2003 ao então presidente americano George Bush seu "compromisso de que o Reino Unido faria o necessário" para desarmar o ditador iraquiano.

 

Blair, porém, admitiu que ajudou a invasão americana apesar de ter sido aconselhado por seu assessor jurídico, Peter Goldsmith, de que qualquer ação britânica precisaria de uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) para que fosse legal.

 

Blair deu seu primeiro depoimento à comissão há pouco menos de um ano, quando disse que não se arrependia de ter ajudado os EUA a derrubar Saddam Hussein e que voltaria a tomar a decisão se fosse necessário.

 

A comissão está ouvindo os últimos meses antes de terminar o relatório sobre a participação britânica no conflito. O documento final deve sair nos próximos meses.

 

Novo depoimento

 

Blair deve ser questionado sobre divergências nas provas que ele deu em sua primeira aparição diante dos investigadores. Há aparentes diferenças entre sua versão e documentos oficiais e o testemunho de outras pessoas.

No ano passado, o ex-premiê aceitou a "responsabilidade, mas não arrependimento por retirar Saddam" do poder. Blair insistiu que o líder iraquiano era "um monstro", que "havia ameaçado não apenas a região, mas o mundo".

A investigação, lançada em julho de 2009, busca identificar lições que podem ser aprendidas com o conflito. O Reino Unido é o segundo país que mais envia tropas ao Iraque, atrás apenas dos Estados Unidos. O trabalhista Blair foi primeiro-ministro entre 1997 e 2007. As informações são da Dow Jones.

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