Blecaute faz Nova York lembrar 11 de setembro

Por alguns minutos na tarde desta quinta-feira, a população de Nova York pensou estar novamente sofrendo um ataque terrorista. Sob um calor de 35 graus e 55% de umidade, a cidade sofreu seu maior blecaute. Pouco antes das 16h30, as luzes piscaram, os ventiladores começaram a girar devagar e os aparelhos de ar condicionado tossiram. Em menos de um minuto, acabou todo o fornecimento de energia elétrica. Um motorista contou que estava no Túnel Lincoln quando as luzes se apagaram e, na hora, pensou que o túnel fosse encher-se de água. Esse é um dos atentados temidos por muitos nova-iorquinos, que acham que uma eventual nova ação terrorista será lançada em túneis ou pontes. Quem ligava os rádios de pilha para saber o que acontecia se assustava: a maior parte das estações estava fora do ar. Caças sobrevoaram Manhattan. Em uma das poucas estações de rádio que estavam no ar, veio a notícia: havia ocorrido uma grande queda de energia, que atingia os bairros de Manhattan, Queens e também parte do Estado de New Jersey. Telefones celulares não funcionavam; nas janelas do prédios, pessoas gritavam umas para as outras tentando saber o que acontecia. Nas ruas, todos os semáforos apagados. Em alguns pontos, passageiros dos trens do metrô começavam a sair pelas grades dos respiradores das calçadas. Nos edifícios comerciais, funcionários saíam aos borbotões; sem luz e sem ar condicionado, não havia mais meios de terminar o dia de trabalho. Lojas em Mid Town, a parte mais movimentada do centro de Manhattan, fecharam antes das 17 horas, quando normalmente ficam abertas até as 20 horas. Várias delas baixaram as grades ou portas de segurança pelo medo de vandalismo. No entanto, na falta de guardas de trânsito, pessoas tomaram o controle nos cruzamentos, algumas até fazendo cartazes a mão para dirigir o tráfego. Nas avenidas sem ônibus, os pontos tinham filas com centenas de pessoas querendo ir para casa. Nas lojas ainda abertas, também havia filas, e as mercadorias mais procuradas eram lanternas, água e rádios de pilha. Com os caixas eletrônicos desligados, era comum ver pessoas pegando dinheiro emprestado para comprar os produtos. Donos de carros estacionados abriam as portas e ligavam seus rádios a todo volume para que outras pessoas ouvissem as notícias sobre o que se passava na cidade. Em menos de uma hora, o prefeito Michael Bloomberg, que participava de uma reunião no Brooklyn quando o incidente aconteceu, voltou à sede da administração municipal e, sob a luz de geradores, deu duas entrevistas coletivas. Bloomberg explicou, e repetiu depois, que o problema teria sido causado "por alguma coisa próxima da fronteira com o Canadá, na região de Niágara". Mais tarde, confirmou que um raio atingiu uma usina na área. Isso causou a interrupção do fornecimento de energia elétrica desde Estados do leste americano, como Nova York e Connecticut, até partes do oeste do país, como o Estado de Ohio. Bloomberg assegurou que não havia sinais de terrorismo. Bastante tranqüilo, o prefeito dizia que a cidade estava se comportando calmamente e aconselhou as pessoas a irem para casa da melhor maneira que pudessem, abrirem todas as janelas e tomarem muita água, por causa do calor. Sem condições de manter sozinha o fornecimento para os mais de 7 milhões de moradores de Nova York, a ConEdison (companhia que distribui energia elétrica para a região) desligou todas as suas subestações. Com multidões caminhando por toda a cidade - cena que lembrava em muito o que ocorreu em 11 de setembro de 2001, após o atentado ao World Trade Center -, as Pontes Williansburg, do Brooklyn e de Manhattan foram tomadas por pedestres.Na hora do rush, o Departamento Municipal de Trânsito só permitiu o tráfego de veículos nessas pontes para quem saía de Manhattan. Os túneis que ligam Manhattan aos bairros de Queens, do Brooklyn e ao Estado de Nova Jersey ficaram temporariamente com apenas uma pista aberta, com circulação alternada e preferência para veículos policiais e de serviços de emergência. O presidente dos Estados Unidos, George Bush, disse na noite desta quinta-feira que o governo federal está trabalhando com os Estados e autoridades locais para reestabelecer o mais rápido possível a energia nas cidades atingidas por uma grande blecaute. ?Isso não foi um ataque terrorista?, afirmou Bush durante entrevista coletiva.(Tonica Chagas)Para ler sobre o blecaute: Quatro reatores nucleares fechados pelo blecaute nos EUANosso repórter conta como estão as ruas de Nova YorkEm meio ao blecaute, prefeito pede cuidado com o calorEnergia elétrica falha nos EUA e no CanadáSobrecarga pode ter causado o blecauteBlecaute afeta quatro grandes aeroportosEste é mais um de uma longa série de blecautesPara o FBI, blecaute foi "evento natural", diz fonte

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