Blecaute pode até estimular economia, dizem analistas

O maior blecaute que atingiu a América do Norte em sua história deve representar um "mero" sobressalto para a economia norte-americana de US$ 10 trilhões, segundo alguns analistas consultados pelas agências internacionais. Enquanto o megablecaute que afetou 10 Estados brasileiros em março de 1999 deu margem a discussões sobre a vulnerabilidade da infra-estrutura do País e questionamentos sobre a privatização das linhas de distribuição de energia, o blecaute na América do Norte gera até interpretações positivas de alguns grupos. Os analistas admitem que a falta de energia evidencia sim a vulnerabilidade do país, mas destacam que o problema poderá até impulsionar um pouco mais a economia, com os cidadãos correndo para as lojas para aumentarem seus estoques de comida e de itens de emergência. Além disso, as empresas de energia poderão, finalmente, ser forçadas a melhorar sua produção e distribuição, o que significa mais investimentos. "É uma lembrança da vulnerabilidade da economia dos EUA a problemas no setor energético e há muitos problemas por lá", disse o economista-sênior Julian Jessup, do escritório do Standard Chartered, em Londres. Mas como o blecaute ocorreu no pico das férias de verão, várias empresas estavam com staff reduzido. "O blecaute não deve se tornar um problema macroeconômico", disse Audrey Childe-Freeman, economista da CIBC World Markets, em Londres. "É uma época em que as fábricas estão com capacidade enfraquecida", destacou o economista-chefe da área internacional do Lehman Brothers, Russell Jones, com escritório em Londres. Segundo John Ryding, economista do Bear Stearns, em Londres, as vendas podem crescer com as pessoas correndo para comprar baterias, pilhas, lanternas, comida enlatada e água engarrafada. A exemplo do que ocorreu no Brasil pós-blecaute, a demanda por geradores de energia deve crescer. Indústrias automotivas devem sofrer impacto negativoJá a indústria automotiva deve ser afetada negativamente. Das 44 fábricas da Ford Motor, 23 foram prejudicadas ontem, com interrupção de linhas de montagem. Nove das 13 linhas da Chrysler na América do Norte também sentiram o impacto do blecaute. Nessa manhã, 34 linhas de montagem da indústria automotiva estavam paralisadas. A interrupção das linhas deve reduzir o dado sobre horas trabalhadas que consta do relatório sobre emprego norte-americano de agosto. O impacto será sentido no relatório a ser divulgado no dia 5 de setembro. Mas o dado sobre postos criados, que tem influenciado o movimento dos mercados, não deverá sofrer impactos. A falta de energia pode afetar o dado de produção industrial de agosto, mas algumas empresas poderão ampliar o ritmo para suprir os gaps. O primeiro dado que deve refletir o impacto do blecaute deverá ser a pesquisa final de confiança do consumidor de agosto da Universidade de Michigan. Caso os preços de energia se mantenham em alta, o clima poderá piorar entre os consumidores.

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