Sylvie Lanteaume/ AFP
Sylvie Lanteaume/ AFP

Secretários de Biden iniciam viagens pela Ásia para definir posição sobre a China

O secretário de Estado, Antony Blinken, e o secretário de Defesa, Lloyd Austin, desembarcaram no Japão nesta segunda-feira, 15, para reuniões com seus pares; dupla ainda deve percorrer Coreia do Sul e Índia

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2021 | 15h00

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, e o secretário de Defesa, Lloyd Austin, iniciaram a primeira viagem ao exterior como ministros indo para os dois principais aliados dos EUA na Ásia. O movimento faz parte do plano de Washington para combater ameaças à segurança vindas da China e da Coreia do Norte.

Blinken e Austin  chegaram ao Japão nesta segunda-feira, 15, para manter conversas com seus pares japoneses, o ministro das Relações Exteriores, Toshimitsu Motegi, e o ministro da Defesa, Taro Kano. A reunião deve acontecer na terça-feira, 16, antes dos secretários seguirem para a Coreia do Sul para discussões semelhantes.

Após os compromissos na Coreia do Sul, os secretários de Biden devem se dividir. Austin planeja uma parada na Índia, enquanto Blinken se encontrará com o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, e seu principal diplomata, Yang Jiechi, já em solo americano.

As reuniões tem o objetivo de reafirmar aos aliados os compromissos de Washington - depois que a administração Trump acusou o Tóquio de se aproveitar da segurança, e cobrar de Seul um aumento de cinco vezes no valor investido para manter militares americanos no país.

A viagem acontece depois que o presidente Joe Biden realizou na sexta-feira, 12, a primeira cúpula virtual com os chamados "parceiros Quad", formado por Austrália, Índia e Japão. Todos eles têm suas próprias tensões com a China. Referências sobre uma região do indo-pacífico aberta e com interesses de segurança compartilhados - mencionadas em um pronunciamento após a reunião - deixaram poucas dúvidas de que as negociações foram uma demonstração de unidade contra Pequim.

Blinken e Austin disseram em um artigo de opinião conjunto publicado no The Washington Post na noite de domingo, 14, que eles "estão agora fazendo um grande esforço para revitalizar nossos laços com amigos e parceiros". Eles descreveram o Japão e a Coreia do Sul como amigos íntimos dos Estados Unidos que apoiam os valores democráticos e "elaboram estratégias juntos sobre como enfrentar ameaças comuns, como as armas nucleares e mísseis balísticos da Coreia do Norte". O artigo também fala da China: "Como os países da região e fora dela sabem, a China em particular está muito disposta a usar a coerção para conseguir o que quer", escreveram.

O primeiro-ministro japonês Yoshihide Suga, que planeja viajar à Casa Branca em abril para as primeiras discussões cara a cara de Biden com um líder estrangeiro, ressaltou a importância dos laços com os EUA antes da chegada de Blinken, dizendo ao parlamento que espera uma aliança mais forte.

O esforço da equipe de Biden é uma demonstração clara da importância que atribui às alianças asiáticas, disse Brad Glosserman, vice-diretor do Centro para Estratégias de Criação de Regras da Universidade Tama, em Tóquio. Também garante ao Japão que os EUA serão firmes com Pequim, acrescentou.

"Apesar de todas as reclamações que o Japão teve sobre o governo Biden abrandar a China, acho que isso prova que não é o caso", disse ele.

A Casa Branca de Trump evitou a colaboração com outras nações sobre comércio e meio ambiente, em vez de confrontar a China com tarifas, sanções e uma presença militar reforçada no Pacífico. Biden deve manter uma linha dura em relação a Pequim - como evidenciado pelo movimento para proibir a exportação de componentes 5G para a Huawei - mas seu governo está tentando evitar a percepção de que está apenas interessado em envolver as nações asiáticas como parte dos esforços para enfrentar a China.

O agrupamento Quad, que foi promovido sob o governo Trump, foi advertido pela China como uma "camarilha" que poderia atiçar uma nova Guerra Fria. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, continuou as críticas, dizendo na segunda-feira em uma coletiva que a prática de estabelecer "panelinhas" voltadas para certos países é um prejuízo para a ordem internacional.

O Japão e a Coreia do Sul tem na China o seu principal parceiro comercial e caminham no limite para manter um bom relacionamento tanto com Pequim quanto com Washington.

Os laços entre a Coreia do Sul e o Japão atingiram um novo patamar durante a presidência de Donald Trump, enquanto os vizinhos discutiam se Tóquio havia sido suficientemente arrependida pela colonização da Península Coreana de 1910 a 1945. O atrito desencadeou uma disputa comercial que em um ponto ameaçou linhas de fornecimento global para semicondutores e quase levou a Coreia do Sul a abandonar um acordo conjunto de compartilhamento de inteligência.

Os dois países asiáticos hospedam cerca de 80.000 militares dos EUA, a maior parte da presença americana na região. As tropas devem ser uma defesa de linha de frente contra a Coreia do Norte e fornecer um contrapeso para a China. Pequim intensificou sua campanha para dominar o Mar da China Meridional, rico em recursos, e tem desafiado Tóquio sobre as ilhas desabitadas no Mar da China Oriental, reivindicadas por ambos os lados.

Blinken se encontrará com os principais diplomatas chineses no Alasca quando voltar da Ásia. Essas conversas, que também incluem o Conselheiro de Segurança Nacional Jake Sullivan, representariam a troca pessoal de mais alto nível entre os dois lados desde que Biden assumiu o cargo em janeiro.

A mídia oficial da Coreia do Norte ainda não mencionou Biden pelo nome desde sua eleição. O líder Kim Jong-un aumentou as tensões ao revelar novos mísseis balísticos lançados por submarino em um desfile militar em janeiro, armas que, segundo especialistas, seriam capazes de lançar uma ogiva nuclear para todo o Japão.

Kim abriu o ano chamando os EUA de "maior inimigo" e disse que colocaria a Coreia do Norte no caminho para desenvolver tecnologias nucleares e mísseis mais avançados./ THE WASHINGTON POST E BLOOMBERG

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