Blix diz que alertou sobre ausência de arsenal iraquiano

O inspetor da Organização das Nações Unidas (ONU) que liderou uma fracassada caça por armas de destruição em massa no Iraque, Hans Blix, disse que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha confiaram em informações falhas e mostraram um julgamento dúbio durante a preparação para a guerra. Ele falou hoje ao inquérito britânico sobre a invasão de 2003 ao país do Oriente Médio.

AE-AP, Agência Estado

27 de julho de 2010 | 19h33

Blix, atualmente com 82 anos e ex-chefe dos inspetores de armamentos da ONU, disse que Washington estava "estimulada por uma ação" militar após os atentados de 11 de setembro de 2001 contra os EUA, e recusou-se a ouvir as preocupações sobre a insignificante ameaça representada pelo regime de Saddam Hussein.

Numa audiência em Londres, Blix disse que os que estavam "cem por cento certos de que existiam armas de destruição em massa" no Iraque mostraram ter "menos que zero por cento de conhecimento" sobre onde os supostos arsenais deveriam ser encontrados.

Embora Blix tenha antes feito críticas semelhantes sobre a motivação da guerra, seu testemunho aumentou as provas já oferecidas ao painel britânico, de que a administração norte-americana inevitavelmente marchava para o conflito. "Quando informamos que não encontramos nenhuma arma de destruição em massa, eles deveriam ter percebido, tanto em Londres quanto em Washington, que as fontes deles eram pobres", disse Blix. "Eles deveriam ter sido mais críticos sobre isso", argumentou.

Alerta

Blix disse ao painel, montado pelo governo britânico para examinar os motivos da guerra e os erros na reconstrução após o conflito, que ele alertou o então primeiro-ministro britânico Tony Blair, numa reunião em fevereiro de 2003, de que Saddam Hussein poderia não ter armas de destruição em massa.

O aviso também foi dado à secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice. Em conversas separadas, ele disse ter comunicado a Blair e a Rice que sua "crença e confiança na espionagem haviam enfraquecido".

Um investigação preliminar britânica criticou os funcionários da espionagem norte-americana por confiarem seriamente em fontes falhas e não confiáveis para redigir dossiês anteriores à guerra sobre a ameaça iraquiana.

Na semana passada, Eliza Manningham-Buller, ex-diretora da agência britânica de espionagem MI5, disse à investigação que o quadro de informações anterior à guerra estava "fragmentado". Blix disse que ele acreditava que Blair era genuíno em sua crença de que o Iraque possuísse armas de destruição em massa, mas no final o premiê britânico estava errado.

Em janeiro, Blair disse ao painel que ele estava certo em invadir o Iraque, mesmo que houvesse apenas uma "possibilidade que Saddam pudesse desenvolver armas de destruição em massa". O inquérito britânico não apontará culpados ou estabelecerá uma investigação criminal sobre os responsáveis, mas emitirá recomendações a respeito de futuros conflitos.

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