Blix exige "mudança drástica" de atitude do Iraque

O chefe dos inspetores de armas da ONU, o sueco Hans Blix, e o diretor da Agência Internacional de energia Atômica (AIEA), Mohamed el-Baradei -, ambos encarregados da coordenação das vistorias no território iraquiano - exigiram hoje uma mudança drástica de atitude do Iraque em relação ao trabalho de suas equipes no país. Blix frisou que o Iraque não tem cooperado suficientemente em desarmamento e, se não modificar essa atitude, seu próximo relatório ao CS vai refletir isso. "O Iraque tem de apresentar as armas proibidas ou provas de que as destruiu", disse Blix."A mensagem do Conselho de Segurança é muito clara: que o Iraque não está coooperando, que precisa mostrar uma mudança drástica em termos de cooperação. A mensagem também é a de que temos de mostrar progresso no nosso próximo relatório, no dia 14", afirmou El-Baradei, pouco depois de sair, junto com Blix, de um encontro com Blair, em Londres. "Nossa missão em Bagdá neste fim de semana é crucial. Esperamos conseguir 100% de cooperação."Os dois iniciam no sábado, em Bagdá, uma nova rodada de conversações com altos funcionários locais e esperam obter respostas para as acusações levantadas pelo secretário americano de Estado, Colin Powell, em seu pronunciamento de quarta-feira no CS. Eles terão de fazer novo relato ao CS no dia 14 - Blair já indicou que esse novo balanço poderá ser o prazo final para uma decisão sobre um ataque.Embora as autoridades iraquianas tenham contestado veementemente as alegações de Powell e continuem garantindo não ter mais armas de extermínio, hoje houve um primeiro sinal de concessão a exigências da ONU. A equipe de inspetores manteve em Bagdá sua primeira entrevista, em particular, com um cientista ligado ao antigo programa de armas de destruição em massa. A Resolução 1.441 do CS, aprovada em novembro, estabelece que o governo iraquiano deve facilitar o acesso a esses especialistas. No entanto, eles estavam se recusando a conversar com os inspetores sem a presença de autoridades do país. Autoridades dos EUA sustentam que Saddam Hussein ameaçou de morte os cientistas.

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