Blix pede "meses" para concluir missão

O chefe dos inspetores de armas das Nações Unidas, Hans Blix, disse que sua equipe precisaria ainda de vários meses para concluir seu trabalho no Iraque. "Precisamos não de semanas, nem de anos, mas sim de meses para essa tarefa", afirmou, durante a apresentação de seu relatório ao Conselho de Segurança da ONU.Blix fez críticas à resistência do governo iraquiano em entregar documentos vinculados a seus programas de armas e acrescentou que - para controlar eficientemente o possível desenvolvimento de armas proibidas em caminhões ou laboratórios subterrâneos - precisaria de um aumento substancial na equipe de inspetores. Mas, de modo geral, apresentou um relatório positivo para o regime de Saddam Hussein."Até agora não encontramos nenhum indício de instalações subterrâneas para a produção de armas químicas e biológicas nem para seu armazenamento", afirmou Blix.O chefe dos inspetores considerou ainda que as operações de destruição de mísseis Al-Samoud 2 - cujo alcance ultrapassa o limite permitido de 150 quilômetros - correspondem às "primeiras medidas substanciais de desarmamento tomadas pelo Iraque desde meados da década de 90". "Não estamos sendo testemunhas da destruição de palitos de dentes, mas de armas letais", assinalou.Blix, porém, mostrou-se apreensivo com a diminuição do ritmo da destruição dos mísseis. "Segundo o último relatório que recebi, não se produziram novas destruições hoje. E eu espero que essa seja uma pausa temporária."Por seu lado, o chefe de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed El-Baradei, disse não ter encontrado nenhum indício de que o Iraque tenha tentado importar urânio para a produção de armas nucleares após 1990. O inspetor disse também que não há evidências de atividades nucleares no território iraquiano.El-Baradei relatou ainda que eram "inautênticas" as provas segundo as quais o Iraque tentou comprar urânio. E desmentiu que a tentativa iraquiana de comprar tubos de alumínio reforçados estivesse relacionada com a produção de armas atômicas.

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