Luca Bruno/AP
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Bloco de extrema direita de Salvini sofre revés no Parlamento Europeu

O conservador Partido Direito e Justiça (PiS), da Polônia, se negou a formar um bloco único por discordâncias sobre apoio à Rússia; partido do Brexit, de Nigel Farage, também não quis participar

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2019 | 11h27

BRUXELAS - As esperanças dos partidos de extrema direita da Europa de formar um novo e poderoso bloco eurocético no Parlamento Europeu sofreram um golpe nesta quarta-feira, 5, quando os nacionalistas da Polônia e o Partido do Brexit do Reino Unido disseram que não se juntariam a esse grupo.

A Liga, partido de extrema direita da Itália, foi um dos maiores vencedores das eleições da UE no mês passado e seu líder, o vice-primeiro ministro italiano Matteo Salvini, tentou convencer os partidos nacionalistas europeus a deixar de lado suas diferenças e formar uma Aliança Europeia para Pessoas e Nações. 

Jaroslaw Kaczynski, líder do conservador Partido Direito e Justiça (PiS), descartou sua participação por causa da posição pró-Rússia de Salvini, do Reunião Nacional (RN), nova versão da antiga Frente Nacional, liderado por Marine Le Pen, e do partido Alternativa para a Alemanha (AfD).

O Partido Brexit de Nigel Farage, que venceu 29 das 72 cadeiras do Reino Unido no Parlamento Europeu, também disse que não se juntaria ao novo grupo, embora não tenha apresentado motivo. O Reino Unido deve deixar a UE em 31 de outubro, mas seus legisladores vão se juntar ao Parlamento Europeu em julho e permanecer até o Brexit acontecer.

Expressando seu ceticismo sobre os planos de Salvini, Kaczynski disse à rádio privada polonesa Wnet: “Quando se trata de Salvini, temos um problema: ele quer criar um novo grupo com formações que não podemos aceitar”. “Temos propostas totalmente divergentes de grupos como o Reunião Nacional, da senhora Le Pen, e o Alternativa para a Alemanha. Não podemos aceitar essas propostas.”

O partido de Le Pen, o AfD da Alemanha e a Liga de Salvini têm boas relações com a Rússia, uma posição com a qual o PiS polonês não concorda, tanto por discordâncias em relação aos projetos russos para a Polônia quanto pela tradicional desconfiança polonesa com relação ao Kremlin.

O PiS, que defende os valores católicos tradicionais e a resistência ao que considera expansionismo russo na Ucrânia e em outros lugares, conquistou 26 dos 51 assentos atribuídos à Polônia no Parlamento Europeu. Espera-se que permaneça no grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus na assembleia.

Salvini esperava que o desejo compartilhado dos partidos eurocéticos na Europa de moldar o futuro do bloco, devolvendo mais poderes aos estados-membros e impondo novas restrições à imigração, superasse qualquer preocupação com a interferência da Rússia.

No geral, os partidos de extrema direita tiveram um desempenho menor do que o esperado nas eleições da UE, particularmente na Alemanha e na Holanda. Na semana passada, o primeiro-ministro nacionalista da Hungria, Viktor Orban, também distanciou seu partido, Fidesz, do grupo eurocético de Salvini.

O chefe de gabinete de Orban, Gergely Gulyas, disse que não vê "muita chance de cooperação em nível partidário ou em um grupo parlamentar conjunto".

Orban, suspenso do Partido do Povo Europeu (EPP) de centro-direita, suspendeu inesperadamente as reformas judiciais contenciosas em um aparente gesto para apaziguar os principais aliados da UE, e evitar punições por parte do Parlamento Europeu que retirem verbas do governo húngaro./ REUTERS e AFP

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