Blogueira cubana recebe passaporte e pode viajar

Yoani Sánchez obteve ontem o documento em meio à reforma de imigração impulsionada por Raúl Castro; ela teve 20 pedidos de saída de Cuba negados

HAVANA, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2013 | 02h02

A blogueira opositora cubana Yoani Sánchez, colunista do 'Estado', recebeu ontem seu passaporte, permitindo que ela viaje ao exterior em meio à reforma migratória que entrou em vigor no dia 14, informou a dissidente, que foi impedida várias vezes pelo governo de Cuba de deixar a ilha.

"Incrível!! Telefonaram para minha casa (do escritório de imigração) para dizer que meu passaporte estava pronto. Acabaram de entregá-lo", escreveu a blogueira de 37 anos, que recebeu vários prêmios internacionais, em sua conta no Twitter.

"Estou feliz e triste: por um lado já tenho meu documento para viajar, mas, pelo outro, tenho vários amigos como Angel Moya que não receberam", disse Yoani. Ela entrou com o pedido de passaporte no primeiro dia da entrada em vigor da nova lei no escritório de imigração no bairro de El Vedado, em Havana.

Moya, um ex-preso político e marido da líder das Damas de Branco, Berta Soler, teve seu pedido negado por estar em liberdade provisória desde 2011 (por uma condenação de 20 anos de prisão), como resultado de uma inédita negociação entre a Igreja Católica e o governo de Raúl Castro, que levou à libertação de outros dissidentes.

Yoani, filóloga e autora do blog Generación Y, não pode visitar o Brasil no começo do ano passado, apesar de ter obtido visto brasileiro, pois o governo não permitiu sua saída de Cuba com base na legislação que estava vigente havia meio século na ilha e foi eliminada com a reforma migratória. Anteriormente, o governo comunista já tinha negado por 19 vezes a Yoani a autorização de saída - conhecida como "carta branca" pelos cubanos .

A "jornalista independente" queria vir ao Brasil para acompanhar o lançamento, na Bahia, de um documentário sobre direitos humanos - gravado em Cuba e em Honduras - em que ela é entrevistada.

Na ocasião, ela escreveu uma carta à presidente Dilma Rousseff, pedindo que ela intercedesse a favor de sua saída quando se encontrasse com as autoridades da ilha. A blogueira tentou ainda se encontrar com Dilma para falar justamente sobre a dificuldade dos cubanos em deixar o país.

Mas a presidente rejeitou recebê-la - assim como a outros opositores cubanos - durante a visita que fez à ilha há um ano. "O Brasil deu o visto para a blogueira, mas os demais passos (para que a dissidente visite o País) não são da competência do governo brasileiro", afirmara Dilma. / AFP

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