Bloomberg, de democrata desconhecido a prefeito republicano

Michael Bloomberg era praticamente um desconhecido para a maioria dos nova-iorquinos quando se candidatou às eleições para a prefeitura depois de abandonar o Partido Democrata e entrar para as fileiras republicanas. O multimilionário, fundador de um império financeiro que leva seu nome, investiu US$ 50 milhões em sua campanha - quantia recorde para uma eleição de prefeito nos EUA. Mas o investimento deu resultado: ele obteve uma notável vitória na terça-feira sobre o democrata Mark Green depois de ter enfrentado de início uma considerável desvantagem nas pesquisas. Em 31 de dezembro, Bloomberg sucederá o atual prefeito, Rudolph Giuliani, outro republicano. "O que há são dois democratas liberais competindo entre si", comentou antes das eleições o professor de ciências políticas Doug Muzzio, do Baruch College. "Apenas um deles exibe o crachá de republicano". A plataforma política de Bloomberg só de longe se assemelha às habituais do Partido Republicano em âmbito nacional: ele apóia os direitos ao aborto e dos homossexuais e se opõe à pena de morte, e se qualificou como liberal em um ato de campanha, coisa que não pareceu ser muito do agrado do governador republicano George Pataki, que estava por perto. Mas o prefeito eleito se caracteriza por sua audácia. Green mencionou a autobiografia de seu rival, "Bloomberg por Bloomberg", em um debate para comentar: "E dizem que eu sou arrogante..." Bloomberg replicou de imediato: "Creio que muita gente coincidirá com essa sua apreciação sobre si mesmo..." Nascido em Medford, um distrito de Massachusetts, Bloomberg é filho de um contador e de uma dona de casa. Estudou engenharia na Universidade John Hopkins em Baltimore e em seguida entrou para a Escola de Administração de Empresas de Harvard e para a firma Salomon Brothers. Quando aconteceu a fusão da Salomon com a Philbro Corp. em 1981, Bloomberg perdeu seu cargo mas recebeu uma indenização de US$ 10 milhões, que usou para fundar a Bloomberg L.P. É uma empresa que presta serviços de informações financeiras e permite a seus clientes o acesso a uma série de cálculos para analisar os mercados. O serviço custa US$ 1.640 mensais por cada conexão. Como esse tipo de informação veio preencher um vazio das firmas de Wall Street e dos bancos, a empresa tem agora 156.000 contas em todo o mundo. A Bloomberg também estendeu sua rede a emissoras de rádio, televisão e outros meios de comunicação para formar um império de 7.200 empregados e a revista Forbes calcula a fortuna pessoal de Bloomberg em US$ 4 bilhões. Aos 59 anos, Bloomberg está divorciado e tem duas filhas. Nunca exerceu um cargo eletivo. Democrata durante toda a vida, no ano passado ele passou para o Partido Republicano para melhorar suas possibilidades na competição para a prefeitura. Seus partidários dizem que sua habilidade para os negócios vai de encontro à necessidade de impulsionar a economia da cidade, especialmente depois dos ataques terroristas de 11 de setembro.

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