Bloqueio de fronteira causa revolta na Venezuela

Protestos ressurgem na cidade de San Cristóbal, perto da Colômbia, berço do movimento iniciado em fevereiro pela saída do presidente Nicolás Maduro

GUILHERME RUSSO, ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2014 | 02h01

Manifestantes contrários ao governo venezuelano entraram em confronto ontem com autoridades de San Cristóbal, no Estado de Táchira, próximo à fronteira com a Colômbia, onde, no início de fevereiro, começou a onda de protestos contra a presidência de Nicolás Maduro - que deixou 43 mortos.

De acordo com informações da imprensa da cidade, o protesto de ontem ocorreu em razão do novo sistema de registro de impressões digitais anunciado pelo governo, na semana passada, para controlar o comércio de alimentos e outros itens. Também há oposição a um aumento no transporte público, ao fechamento à noite da fronteira com a Colômbia - medida que o governo venezuelano adota desde o dia 11 para combater o contrabando - e à falta de segurança.

Os confrontos entre manifestantes e as autoridades, segundo informações do jornal venezuelano El Universal, ocorreram na região de Las Pilas de Pueblo Nuevo, onde um grupo de moradores ergueu barricadas e enfrentou policiais da Guarda Nacional Bolivariana. A tensão começou às 5 horas.

Ainda de acordo com o Universal, um ônibus de transporte público foi sequestrado pelos manifestantes e liberado posteriormente. "Os moradores relataram que foram alvo de bombas de gás lacrimogêneo lançadas por efetivos militares", diz a reportagem.

O deputado opositor Walter Márquez, representante de Táchira na Assembleia Nacional, afirmou à Radio Caracol que os confrontos são consequência do descontentamento popular. "A crise continua aqui e, agora, com essas novas ações do governo - a fiscalização por biometria e o fechamento da fronteira - a situação ficou pior. Não sabemos mais onde isso vai parar", disse o parlamentar, relatando explosões na manhã de ontem. Até o fim da tarde, não havia notícias de feridos.

O deputado opositor Homero Ruiz, secretário-geral do Partido Democrata Cristão (Copei), pelo Estado de Táchira, mostrou ontem à imprensa uma sondagem na qual 82,93% dos habitantes da região são contra o fechamento da fronteira com a Colômbia.

Sistema biométrico. De acordo com o parlamentar, 1,2 mil habitantes de Capacho Viejo, Bolívar e Pedro María Ureña foram entrevistados - e 89,37% deles se mostraram contrários ao sistema de monitoramento biométrico do comércio e itens de primeira necessidade, que deve entrar em vigor a partir de 30 de novembro.

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