Bo Xilai acusa ex-assessor de ser pouco confiável

O ex-dirigente político chinês Bo Xilai procurou neste domingo desacreditar o seu ex-assessor, chamando-o de mentiroso e de testemunha pouco confiável, enquanto nega a responsabilidade criminal no maior escândalo político do país em décadas.

Agência Estado

25 de agosto de 2013 | 10h28

Revelações de um julgamento político já expuseram os bastidores de uma das famílias da elite da China, com Bo chamando sua esposa Gu Kallai de "louca depois de ela ter testemunhado contra ele e dizer que se mudou com seu filho para o exterior, depois de ele ter sido infiel".

Bo disse neste domingo no Tribunal Popular Intermediário de Jinan que seu ex-braço direito "era uma pessoa de qualidade muito vil e que, primeiro, mentiu no tribunal e, segundo, criou confusão."

No encerramento da audiência na manhã de hoje, o tribunal disse que todas as evidências foram apresentadas e que o julgamento seria adiado até segunda-feira.

O Partido Comunista que governa a China está usando o julgamento contra Bo para tentar conter um grande escândalo político revelado no ano passado, quando o consultor do ex-dirigente político fugiu para o consulado dos EUA no país com acusações de que a mulher de Bo tinha matado o empresário britânico Neil Heywood. O caso emergiu antes da transição de liderança que ocorre a cada década e para qual Xilai era tido como candidato para o Politburo Standing Committee, o órgão mais poderoso da China. A esposa de Xilai está presa pelo assassinato de Heywood.

O escândalo levou à destituição de Bo como membro e líder do partido da megalópole do sul de Chongqing, fazendo dele o líder mais sênior a sair do poder nos últimos anos. Sua remoção está sendo cimentada por acusações criminais de abuso de poder ao interferir na investigação de assassinatos e de tentar esconder os desvio de recursos de cerca de US$ 4,3 milhões por meio da corrupção.

A previsão era de que o julgamento de Bo fosse rápido, mas observadores dizem que dar-lhe a chance de se defender ajuda a dar uma aparência de legitimidade ao que é amplamente visto como um julgamento político arranjado.

Em depoimento ontem, Bo negou as acusações de que ele havia se apropriado de 5 milhões de yuans (US$ 800 mil) em fundos do governo em 2000, dizendo que sua esposa roubou o dinheiro sem o seu envolvimento e revelando que o casal se afastou depois que ele foi infiel a ela. Fonte: Associated Press.

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