Bo Xilai enfrenta promotores no último dia de julgamento

Aguerrido, Bo Xilai, o ex-líder do Partido Comunista Chinês, atacou os promotores à medida que o seu o seu julgamento sobre o seu envolvimento com corrupção, suborno e abuso de poder chegou ao fim nesta segunda-feira. Além de afirmar que as evidências não comprovam a sua culpa, ele critica o caso que explorou como testemunhas a sua mulher, Gu Kallai, condenada à morte pelo assassinato do empresário britânico Neil Heywood em 2011, e Wang Lijun, chefe de polícia da cidade de Chongqing.

AE, Agência Estado

26 de agosto de 2013 | 04h33

Após cinco dias de julgamento, Bo se defendeu contra as acusações, de acordo com uma transcrição do tribunal oficial. "Eu acredito que as acusações do Ministério Público contra mim são extremamente unilaterais, arbitrárias e subjetivas", afirmou Bo em sua declaração final.

A agência de notícias oficial Xinhua disse que o tribunal irá anunciar o veredicto em uma data posterior que ainda não foi divulgada.

Os promotores chineses disseram que Bo se recusou a assumir a culpa pelos delitos, mesmo tendo cometido crimes graves. Por isso, a promotoria apelou ao tribunal para impor sanções pesadas, argumentando que Bo havia desmentido as declarações anteriores feitas durante a investigação.

"Os crimes cometidos pelo réu são extremamente graves e ele se recusou a admitir a culpa. Não há base legal para a clemência", afirmou a promotoria.

No último dia de julgamento, Bo voltou a criticar o depoimento de Gu e Wang.

Wang afirmou que foi afastado do seu cargo depois de ter levantado suspeitas do envolvimento da mulher de Bo na morte de Heywood. A promotoria alegou que Bo demitiu Wang da função porque o chefe da polícia queria reabrir uma investigação sobre a morte de Heywood.

Por sua vez, Bo disse que Wang foi demitido porque era um chefe de polícia antiético. "Wang Lijun disse mentira sobre mentira. Usar o seu testemunho para provar que eu sou culpado não é credível", criticou Bo. "O real motivo de sua deserção foi que ele prejudicou a minha família", afirmou.

Bo também argumentou que Wang e Gu tiveram um relacionamento amoroso, e os dois haviam ocultado informações importantes dele. "Ele e Gu Kailai eram como cola e tinta", disse Bo, usando uma expressão chinesa para um relacionamento romântico.

Em relação a alegações separadas de que aceitou subornos, Bo disse que "isso é inventado". Os promotores haviam alegado que Bo, "por conta própria ou com a ajuda de sua esposa e seu filho Bo Guagua" aceitaram dinheiro, viagens e outros presentes de empresários chineses.

Bo afirmou que Gu não teria o incomodado com tais detalhes sobre despesas pessoais. "O Estado não me promoveu porque eu era bom em contabilidade", acrescentou.

O acusado também desmentiu um testemunho escrito anterior de que ele havia dado para os investigadores. Esse testemunho escrito mostrava que Bo expressou arrependimento por seus atos. "Eu fiz isso contra a minha vontade", disse ele nesta segunda-feira, de acordo com a transcrição do julgamento.

Ele acrescentou que "naquele tempo eu ainda tinha a esperança de que iria manter a minha filiação partidária" e conseguiria manter a vida política.

Ele agradeceu ao tribunal e disse que os promotores trabalharam duro para reunir provas. "Eu respeito o trabalho deles e este tem sido um caso muito complicado", disse ele. Bo acrescentou: "Mas quanto disso realmente pertence a mim?"

O julgamento de Bo foi o processo judicial mais sensível do país em termo políticos em mais de três décadas.

Embora os especialistas digam que o julgamento deve resultar na condenação de Bo porque o partido controla os tribunais, o processo está sendo observado de perto. Muitos têm prestado bastante atenção ao julgamento para analisar como as autoridades lidam com o caso de acusações contra um popular político chinês.

Bo avançou para os mais altos cargos na política chinesa, até ser retirado de suas posições no ano passado. Fonte: Dow Jones Newswires.

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