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Boato sobre ataque a projeto de mineração correm há semanas

Há várias semanas, já circulava em Bamako a informação de que um ataque terrorista estaria em evolução no Mali - o alvo, dizia o boato, seria o Projeto Samit, para extração de 200 toneladas de urânio em Gao, próximo do vizinho Níger. O empreendimento é multinacional e envolve mineradoras de Europa e Estados Unidos.

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2015 | 02h04

De acordo com dois ex-militares brasileiros que atuam como consultores no país desde 2012, as conversas eram intensas entre estrangeiros, funcionários e empresários, no sofisticado bar D'jembé do hotel Radisson Blu.

Ninguém se preocupou muito. "Esse tipo de bisbilhotice é, por aqui, um ingrediente do cotidiano", disse ontem, ao Estado, um dos brasileiros sob contrato de uma empresa de serviços privados de segurança e defesa. Ele estava no aeroporto no momento em que os 13 jihadistas invadiram o hotel. "Foi possível saber que havia alguma coisa errada porque em pouco tempo os celulares deixaram de funcionar", relatou. Apenas a pequena rede local de telecomunicações por satélite operava normalmente até a noite de ontem.

Os invasores, provavelmente estariam retaliando a intensificação da Operação Barkhane, a vasta manobra de busca de lideranças e destruição das instalações de organizações dos terroristas no norte da África. Embora o governo da França tenha, a rigor, retirado do Mali quase toda a tropa de 5.100 militares mobilizados na Operação Serval, a partir de agosto de 2014, há cerca de 550 combatentes, na maioria franceses, implicados no procedimento a partir de bases provisórias na linha da fronteira de Burkina Fasso. Em Bamako, permaneceu um time das forças especiais - que participou da neutralização dos radicais e do resgate dos reféns -, além de vários instrutores.

Vida dura. A capital malinesa é uma cidade pobre, de 2 milhões de habitantes e poucas ruas pavimentadas. No verão, a temperatura pode chegar aos 53 graus. Os 1,2 milhões de km² são divididos entre uma estreita faixa verde e o delta seco do deserto.

A população, de 12,5 milhões, vive abaixo da linha da pobreza, com US$ 1,00 ao dia. Os acessos ao aeroporto internacional, modernizado pela França para servir à aviação de combate há três anos, ao setor hoteleiro e ao distrito governamental são asfaltados. O restante da malha viária da cidade é coberto com camadas de pedrisco.

A música é boa, parecida com o jazz de rua, tradicional. E sempre é possível encontrar um restaurante para comer o prato típico, jollof, uma mistura de arroz longo, carne de cabra, alho, cebola, especiarias, pimenta escura e ovos. Para os brasileiros, "o clima lembra o da Bahia, com pessoas amistosas, usando roupas de cores fortes".

Na história recente, a presença das forças conjuntas da França a partir de 2014 é marcante. Chegou a 5 mil soldados quando a resistência rebelde exigiu. Não apenas soldados. Chegaram ao Mali dezenas de blindados sobre rodas, canhões leves, caminhões e, no ar, havia o espetáculo permanente dos caças Rafale e Mirage armados com o melhor do arsenal: bombas inteligentes de 250 kg a 900 quilos, com erro máximo de meio metro depois de planar por 20 km, mísseis de cruzeiro com alcance de 300 km a 800 km e fazendo sua estreia em combate, foguetes guiados - precisos e de baixo custo. Sim, é um mostruário.

Houve motivos fortes para a intervenção. A ex-colônia e ex-império do Alto Níger desperta as atenções de blocos econômicos internacionais por causa de suas reservas de ouro, urânio, e em menor escala, fosfato e o potássio. Campos e petróleo e gás, ainda estão sendo mapeados.

Assim, soou um alerta vermelho quando a Al-Qaeda do Magreb Islâmico, o Ansar Dine e a Jihad Ocidental desembarcaram no norte do país, a linha de limite máximo aceitável pela Europa e Estados Unidos na guerra ao terror.

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