Bernat Armangue/AP
Bernat Armangue/AP

Socialistas vencem na Espanha e ultradireita elege deputados pela 1ª vez

Atual primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, sai das urnas vitorioso na maioria das regiões do país e impõe uma derrota histórica ao tradicional Partido Popular; extremistas do Vox elegem 24 deputados e voltam ao Parlamento após 36 anos

João Paulo Carvalho / ESPECIAL PARA O ESTADO / MADRI , O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2019 | 15h41
Atualizado 29 de abril de 2019 | 11h51

O Partido Socialista (PSOE), do atual primeiro-ministro Pedro Sánchez, venceu neste domingo, 28, as eleições espanholas, mas terá de formar uma coalizão com partidos de esquerda para governar. A novidade das urnas foi o Vox, legenda de ultradireita, que elegeu 24 deputados. Assim, os extremistas elegeram representantes no Parlamento pela primeira vez.

O PSOE conquistou hoje 123 cadeiras (de um total de 350) no Parlamento. O Podemos, de Pablo Iglesias, também de esquerda, obteve a 42 e deve ser um aliado natural do premiê. Juntos, eles têm 165 deputados e precisariam ainda do apoio de partidos menores para chegar à maioria de 176.

O bloco de esquerda recebeu mais votos que o de direita. Entre os conservadores, o tradicional Partido Popular (PP), de líderes históricos como José María Aznar e Mariano Rajoy, fez 66 deputados – o pior desempenho desde a redemocratização.

As outras legendas conservadoras que entraram no Parlamento foram o Ciudadanos, com 57 deputados, e os extremistas do Vox, que elegeram 24 parlamentares – os três partidos somados têm 147 cadeiras.  Na noite de hoje (fim de tarde no Brasil), centenas de militantes do PSOE já se aglomeravam em frente à sede do partido, na Rua Ferraz, no centro de Madri, para celebrar a vitória. O clima no local era de festa. “É o começo de uma nova Espanha. Apesar de dependermos de uma negociação para sermos maioria, precisamos comemorar”, disse o jovem Rafael Herrera, de 23 anos. 

Em meio a um mar de bandeiras vermelhas, Sánchez falou à multidão. “Não importa o que aconteça, o Partido Socialista ganhou. Isso mostra que temos uma democracia sólida e de qualidade. Vamos governar a Espanha, avançar na política social e acabar com a desigualdade. Hoje, ganhou o futuro e perdeu o passado”, afirmou. 

O PSOE foi o partido mais votado na maioria das regiões da Espanha e em todas as comunidades autônomas. A legenda só não venceu em quatro lugares: Catalunha, País Basco, Navarra e a cidade de Melilla. 

Quem também comemorou hoje foi a extrema direita, que voltou ao Parlamento após 36 anos. O Vox, liderado por Santiago Abascal, foi o quinto partido mais votado. Nas celebrações, o secretário-geral, Javier Ortega, adotou um tom desafiador. “A resistência já está dentro do Congresso e não vamos mais parar. É só o começo”, disse. 

Abascal também agradeceu a votação histórica da ultradireita espanhola. “Vamos caminhar juntos, não só pelo Vox, mas por todo o país. Agora, temos voz no Congresso. Uma voz que antes não existia. Seremos resistência.”

Tranquilidade

No início do dia, quando as urnas foram abertas, o clima era de tranquilidade em Madri, apesar do grande número de pessoas nas ruas. No colégio Rufino Blanco, no bairro de Chamberí, no centro da capital espanhola, muitos eleitores ainda estavam indecisos. “Confesso que estou em dúvida. Vou decidir só agora. Eu não gosto de nenhum partido, mas entendo a importância desta eleição”, afirmou o aposentado Juan Manuel Heyer, de 72 anos.

Os líderes dos cinco principais partidos votaram pela manhã. O candidato do PSOE, Pedro Sánchez, foi o primeiro a comparecer às urnas no Centro Cultural Volturno, em Pozuelo de Alarcón, em Madri, por volta das 9h30, acompanhado da mulher, Begoña Gómez.“Espero que seja uma jornada de portas abertas para o futuro do país”, diz Sánchez. 

Pablo Iglesias, do Podemos, votou em uma escola de Galapagar, também em Madri. “É um dia incrível para lembrar a educação pública de qualidade, já que muitos cidadãos visitam hoje os colégios públicos”, lembrou Iglesias. 

Albert Rivera, do Ciudadanos, votou em Barcelona às 10h. “Peço aos espanhóis para que vão às urnas hoje por uma Espanha que avance economicamente”, disse. 

Pablo Casado, do PP, também ressaltou a relevância do processo eleitoral: “Esta eleição é a mais importante dos últimos anos”. 

Santiago Abascal, do Vox, chegou ao bairro de Pinar del Rey, em Madri, pouco antes do meio-dia. “Hoje muita gente votará sem medo, defendendo a democracia e a nação”, declarou. 

Brasileira

A brasileira Maria Dantas, de 50 anos, vai integrar o Parlamento da Espanha. Em Barcelona há 25 anos, Maria foi eleita pelo partido Esquerda Republicana da Catalunha (ERC). A advogada e militante, que trabalha para uma empresa de finanças em Barcelona, afirmou que sua principal bandeira é a dos imigrantes e refugiados. 

Nascida em Aracaju, Sergipe, Maria foi votar vestindo uma camiseta com o rosto de Marielle Franco, vereadora carioca assassinada em março de 2018. Maria também já integrou iniciativas como a Unidade Contra o Fascismo e o Racismo, Stop Mare Mortum e a Plataforma Brasileiras contra o Fascismo de Barcelona.

Em um post no Twitter, Maria reforçou suas bandeiras contra o fascismo ao postar uma foto sua votando e dizendo que defenderá “todas as pessoas”.

 

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