Boca de urna dá 56% a Correa e presidente se declara reeleito

Favoritismo de líder esquerdista é confirmado; Lucio Gutiérrez, com 29% nas pesquisas, rejeita admitir derrota

AFP, QUITO, O Estadao de S.Paulo

27 de abril de 2009 | 00h00

Antes mesmo da divulgação do resultado final, o presidente Rafael Correa declarou-se vitorioso nas eleições gerais de ontem, prometendo fazer avançar sua "revolução cidadã". Três pesquisas indicavam que ele obteve entre 54% e 56% dos votos, e deve se reeleger já no primeiro turno. Por causa da nova Constituição, todos os cargos eletivos do Equador foram submetidos à votação ontem."Nós nunca vamos enganá-lo, povo equatoriano. É por isso que temos um imenso apoio", disse Correa, de 46 anos. "Fizemos história num país em que, de 1996 a 2006, nenhum governo concluiu seu mandato. E hoje (ontem) temos uma vitória já no primeiro turno."Se a apuração final der mais de 40% dos votos válidos a Correa, com uma diferença mínima de 10% sobre o segundo colocado, o presidente será declarado vencedor das eleições. Ele, então, seguirá no cargo até 2013. Pesquisas indicam que, atrás de Correa, está o ex-presidente deposto há quatro anos, Lucio Gutiérrez, com 29%. Apesar da desvantagem, Gutiérrez não reconheceu a vitória do rival. Correa venceu o opositor em todas as províncias, com a exceção da Amazônia, segundo sondagens."Isso é a democracia formal. Falta-nos agora construir uma democracia real, com base na justiça", disse Correa. Ele afirmou ainda que espera que seu partido, a Aliança País, controle o Parlamento. Pesquisas indicavam que a legenda levaria 41 das 124 cadeiras do Legislativo.A eleição de ontem marcou mudanças no Equador, com a possibilidade de reeleição para presidente e o direito de voto a policiais, militares, presos não sentenciados, estrangeiros e jovens de 16 anos. O chefe dos observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA), Enrique Correa, reconheceu o "profissionalismo" da votação.O líder opositor e prefeito de Guayaquil, Jaime Nebot, disse que foi reeleito e exigiu que Correa respeite o resultado. Reduto da oposição, Guayaquil é capital de Guayas, onde a irmã de Correa, Pierina, disputa o governo. Até ontem à noite ela estava tecnicamente empatada com o rival, Jimmy Jairala.?REVOLUÇÃO EM MARCHA?Se reeleito, Correa se consolidará como o líder mais forte que o Equador teve em seus 30 anos de democracia. Embora a crise e a desvalorização do petróleo tenham abalado o país, o investimento em programas sociais impulsionou Correa. A nova Carta teve aprovação de 64% e o presidente elegeu 70% da Assembleia Constituinte.Correa mantém uma forte aliança com Caracas, apesar de ter recusado aderir à Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), capitaneada pelo presidente Hugo Chávez, e hesitado em adotar um tom antiamericano. Ontem, Chávez afirmou que "já se respira no ambiente o que acontecerá (após as eleições): a revolução no Equador seguirá sua marcha".Em novembro, o Brasil convocou seu embaixador no Equador em represália a uma ameaça de calote no financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a construção de uma hidrelétrica pelo grupo brasileiro Odebrecht. Com o pagamento das parcelas, o representante brasileiro voltou a Quito em janeiro.VITÓRIA CANTADARafael CorreaPresidente equatoriano"Fizemos história num país em que, de 1996 a 2006, nenhum governo terminou seu mandato. E hoje (ontem) temos uma vitória já no primeiro turno""Isso é a democracia formal. Falta-nos agora construir uma democracia real, com base na justiça, na equidade e na Dignidade"

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