Boca de urna indica derrota de Cristina na Província de Buenos Aires

A contagem parcial das urnas das eleições primárias argentinas indicava ontem (domingo) à noite que o governo da presidente Cristina Kirchner sofreu a pior derrota política do kirchnerismo em uma década.

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE, BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2013 | 02h01

Os dados preliminares destas eleições, que definem os candidatos que participarão das parlamentares de outubro, sustentavam que o kirchnerismo teria obtido 25% dos votos em todo o país. Desta forma, a oposição, embora fragmentada, reuniria 75% dos votos. Em discurso à meia-noite a presidente Cristina, visivelmente abalada pelo resultado, falou brevemente, convocando a militância a fazer "maior esforço". A presidente não reconheceu a derrota.

Na província de Buenos Aires, tradicional feudo político do kirchnerismo, de acordo com 45% das urnas apuradas, o candidato kirchnerista que lidera a lista de deputados para as eleições parlamentares de outubro, Martín Insaurralde, prefeito da cidade de Lomas de Zamora, teve somente 28% dos votos. Seu rival, Sergio Massa, ex-chefe do gabinete de ministros de Cristina, que passou há poucos meses para o peronismo dissidente, da oposição, era vitorioso com 34% dos votos.

A província de Buenos Aires é considerado o principal campo de batalha eleitoral, já que concentra 37,3% dos eleitores argentinos. Massa é considerado um potencial presidenciável que poderia reunir o peronismo dissidente e setores do kirchnerismo insatisfeitos com a presidente Cristina. Na cidade de Buenos Aires, que concentra 8,8% dos eleitores do país, o candidato do governo, o ex-ministro Daniel Filmus teria reunido 20% dos votos. Os candidatos da coalizão UNEN, de centro-esquerda, reuniram 35% dos votos, e os representantes do partido de centro-direita Proposta Republicana (PRO), do prefeito Maurício Macri, 30%.

Na província de Córdoba o kirchnerismo teria conseguido de 13% a 15% dos votos, protagonizando o pior desempenho eleitoral de sua História.

Plebiscito. A presidente engajou-se ativamente na campanha, criando um tom de plebiscito sobre sua gestão e o modelo kirchnerista. Apesar da participação - de seus ministros, do aparato estatal, dos anúncios de aumentos nas aposentadorias e inaugurações de obras públicas - a proporção de votos do governo Kirchner seria significativamente inferior ao volume obtido nas eleições presidenciais e parlamentares de 2011, quando obteve 54,11% dos votos.

Os argentinos irão de novo às urnas em 27 de outubro, dia do terceiro aniversário da morte do ex-presidente Néstor Kirchner, para participar das eleições parlamentares. Para analistas, caso os mesmos números se repitam em outubro, o governo ficará longe dos dois terços da Câmara de Deputados e do Senado necessários para aprovar uma reforma constitucional que permitiria reeleições presidenciais ilimitadas, único meio de Cristina se candidatar novamente em 2015, já que este é seu segundo mandato. Apesar disso, no entanto, Cristina é favorecida pela fragmentação dos partidos da oposição, que fracassaram nas tentativas de criar uma frente antikirchnerista.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.