AFP PHOTO / ERNESTO BENAVIDES
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Boca de urna indica empate técnico no Peru; economista leva vantagem sobre Keiko

Segundo Instituto Ipsos, Pedro Pablo Kuczynski (PPK) teria 50,4% dos votos contra 49,6% de Keiko Fujimori, filha do ex-presidente peruano; dia de votação ocorreu sem problemas em todo o país

Luiz Raatz, Enviado Especial / Lima, O Estado de S. Paulo

05 Junho 2016 | 18h11

LIMA - Cerca de 23 milhões de peruanos foram às urnas neste domingo, 5,  eleger o novo presidente do país. Pesquisas de boca de urna divulgadas no fim da tarde indicavam um empate técnico entre Keiko, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, preso por crimes contra a humanidade, e o economista Pedro Pablo Kuczynski, com o economista ligeiramente à frente, com 50,4% dos votos, segundo o Instituto Ipsos. Keiko teria 49,6% dos votos válidos.

O dia de votação ocorreu sem maiores problemas em Lima e nas regiões mais afastadas do país, segundo a Justiça Eleitoral. Kuczynski e Keiko votaram no fim da manhã, nos bairros de San Isidro e La Molina. Ambos tomaram um café da manhã com a imprensa em distintos distritos de Lima e no fim dia seguiram para hotéis da capital peruana para acompanhar a apuração.

"Esperemos que a democracia, a unidade e o diálogo saiam vencedores no dia de hoje", disse Kuczynski, acompanhado da mulher, Nancy Lange, no distrito de La Victoria. 

Keiko tomou um café da manhã aberto a jornalistas junto do marido, das filhas, da mãe, Susana Higuchi, e alguns assessores. "É um dia muito especial. Votem sem medo, pensando no país", disse. "É um dia de festa. O Peru deve sair vencedor." Questionada sobre o pai, a candidata disse que o visitou na prisão apenas duas vezes nos últimos dois meses. 

O candidato a vice de Keiko, José Chimpler, que apresentou um áudio adulterado para tentar livrar Joaquín Ramírez, do partido Fuerza Popular de acusações de corrupção e narcotráfico, não compareceu ao café da manhã. A candidata explicou que o evento era apenas para parentes mais próximos.

Disputa. Keiko chegou na reta final da eleição, no domingo passado, com uma vantagem de pelo menos seis pontos porcentuais para PPK, como Kuczynski é conhecido no Peru. Ao longo da semana, no entanto, a mobilização antifujimorista na rua, na imprensa e nas redes sociais favoreceu o economista.

Na terça-feira, 5 mil pessoas tomaram o centro de Lima em um ato contra Keiko. Dois dias depois, uma pesquisa do Instituto CPI, obtida pela reportagem do Estado, indicou que PPK tinha diminuído a vantagem de Keiko para 2,3 pontos.

Pesquisas de opinião de voto feitas por institutos de pesquisas e divulgadas por agências internacionais indicam um crescimento de Kuczynski na reta final. Projeção do instituto Ipsos no sábado mostrava o economista com 50,4% dos votos contra 49,6% de Keiko - uma situação de empate técnico.

Entre os eleitores, no entanto, o clima neste domingo era de ceticismo com a classe política. Partidários dos dois candidatos demonstravam pouca esperança de que o país melhoraria nos próximos anos. "Não importa quem ganhe, o país está condenado", disse a aposentada Romina Díaz, de 70 anos, eleitora de Keiko.

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