Dylan Martinez/REUTERS
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Boca de urna indica Partido Conservador com ampla maioria nas eleições do Reino Unido

Conservadores devem eleger 51 deputados a mais que na última votação e impor aos trabalhistas a maior derrota desde 1935

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2019 | 19h11
Atualizado 13 de dezembro de 2019 | 00h17

LONDRES - Pesquisa de boca de urna do instituto Ipsos Mori e divulgada em conjunto pelas emissoras BBC, ITV e Sky indicou nesta quinta-feira, 12, uma vitória com ampla maioria do Partido Conservador, chefiado pelo primeiro-ministro Boris Johnson, na eleição do Reino Unido. Se o resultado se confirmar nas urnas, será o maior triunfo dos conservadores em 30 anos e a pior derrota dos trabalhistas desde 1935.

Até o início da madrugada desta sexta-feira, os primeiros resultados da apuração indicavam o Partido Conservador com 127 parlamentares eleitos e o Trabalhista, com 98 – de um total de 650 deputados. O resultado, no entanto, não pintava um quadro completo da bancada de cada partido.

De acordo com a boca de urna, o partido de Johnson elegeria 368 deputados e obteria uma maioria folgada no Parlamento – 86 cadeiras, 51 a mais do que na eleição passada, em 2017. Apenas Margaret Thatcher, em 1983 e 1987, conseguiu uma bancada maior. 

As últimas quatro pesquisas de boca de urna, desde 2005, têm sido relativamente precisas. Se a maioria de Johnson for confirmada, o primeiro-ministro não terá dificuldades para aprovar seu acordo sobre o Brexit no Parlamento, encerrando um longo período de instabilidade na política britânica. 

O novo governo também teria uma boa margem de manobra no Parlamento para aprovar leis mais restritivas à imigração, um novo orçamento e acordos de livre-comércio com outros países, algumas das principais promessas de campanha de Johnson. 

Do outro lado do espectro político, se confirmado o resultado, a eleição parece ter se tornado um pesadelo para o líder trabalhista, Jeremy Corbyn. Seu partido sairia das urnas com apenas 191 deputados, 71 a menos do que na última eleição, em 2017 – o pior resultado desde 1935, quando a legenda obteve 154 sob a liderança de Clement Attlee. 

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Johnson, que saiu para votar logo cedo em Londres, carregando seu cachorrinho Dilyn pela coleira, estava empolgado com a possibilidade de uma vitória esmagadora e agradeceu aos britânicos. “Obrigado a todos que votaram e aos que se apresentaram como candidatos”, escreveu o premiê no Twitter. “Vivemos na melhor democracia do mundo.”

Apesar do frio e da chuva, em algumas partes do país, o comparecimento foi alto e longas filas foram registradas em várias zonas eleitorais de Londres, Manchester e Liverpool, menos de uma hora após a abertura das seções. Estimativas oficiais apostavam em um número mais alto que os 68,8%, de 2017.

As primeiras repercussões políticas do resultado foram sentidas logo após a divulgação da boca de urna. Muitos líderes trabalhistas pediram a cabeça de Corbyn. Alguns culparam o fracasso apontando o dedo para o afastamento do partido da tradicional base operária – que teria sido atraída pelo discurso populista de Johnson – e outros responsabilizaram o Brexit pela derrota.

Escócia e o separatismo

O resultado da boca de urna também foi comemorado pelo Partido Nacional Escocês (SNP), que aparece como o terceiro mais votado – embora faça campanha apenas na Escócia. O SNP obteria, segundo a sondagem, 55 deputados – de um total de 59 parlamentares que os escoceses enviam para Londres. 

O resultado – praticamente um monopólio regional – foi interpretado pelos líderes do SNP como um mandato para realizar um segundo plebiscito obre a independência da Escócia – no primeiro, realizado em 2014, o separatismo foi derrotado.

Angus Robertson, ex-líder do SNP, disse à BBC que uma nova votação será inevitável. A premiê da Escócia, Nicola Sturgeon, planeja organizar um novo plebiscito em 2020. Por enquanto, o problema é convencer Londres a autorizar uma outra votação. A possibilidade foi rejeitada ontem por vários líderes conservadores. 

Outro partido derrotado na eleição de ontem foi o Liberal-Democrata, que teria feito apenas 13 deputados. A grande promessa de campanha dos liberal-democratas era reverter o Brexit em votação no Parlamento. A líder do partido, a escocesa Jo Swinson, corria o risco de nem sequer ser reeleita no distrito de East Dunbartonshire, nos arredores de Glasgow. / CÉLIA FROUFE, COM AGÊNCIAS

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