Boca de urna na Grã-Bretanha indica ''empate'', cenário que favorece Brown

Parlamento dividido. Pesquisas apontam que nenhum dos partidos conquistou maioria no Palácio de Westminster, o que dá ao atual premiê preferência para formar coalizão; conservadores, porém, obtêm maior bancada e já falam em pedir renúncia de trabalhista

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

07 Maio 2010 | 00h00

Pesquisas de boca de urna, divulgadas na noite de ontem, indicaram que o atual primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, terá o direito de tentar se manter no poder negociando um governo de coalizão entre trabalhistas e liberais.

Segundo levantamento contratado pelas três maiores emissoras de TV do país - BBC, Sky e ITV - e divulgado pouco depois da votação, o Partido Trabalhista elegerá 255 deputados, que, se aliados aos 61 do Partido Liberal, ultrapassariam a bancada do Partido Conservador, que ficaria com 305 deputados eleitos.

Se confirmados os números, os conservadores ficariam a apenas 19 cadeiras da maioria absoluta, que daria ao líder conservador David Cameron o direito de pedir a renúncia do atual gabinete e a formação de um governo. Em um pronunciamento na madrugada de hoje, Cameron declarou que, apesar e os resultados não estarem claros, os trabalhistas haviam perdido seu mandato para governar a Grã-Bretanha.

Os números da pesquisa de boca de urna confirmam a divisão do Legislativo e, em consequência, a total incerteza sobre quem será o primeiro-ministro da Grã-Bretanha. A sondagem indica que o Partido Conservador teria acrescido 97 deputados à sua bancada atual, enquanto o Partido Trabalhista teria perdido 94 assentos. Já o Partido Liberal, sensação da campanha, teria encolhido, perdendo três postos.

Com base nas leis britânicas, se ninguém obtiver maioria, o atual premiê, mesmo tendo somado menos votos, teria a preferência para negociar uma aliança e continuar no poder. Nesse caso, Brown teria de apelar aos liberais para formar um governo de coalizão. Fontes trabalhistas disseram que Brown está disposto a tentar formar um governo.

Um dos primeiros a reagir aos números, Peter Mandelson, atual secretário dos Negócios e Empreendimentos, confirmou que o premiê deverá tentar montar um governo "estável" a partir de alianças. No entanto, Cameron tende a ignorar essa hipótese e a exigir a renúncia do gabinete trabalhista, o que lhe permitiria abrir negociações para uma coalizão de centro-direita.

"A boca de urna é decididamente uma rejeição ao Partido Trabalhista", afirmou o conservador, por meio de assessores. Cameron alega que sua equipe "pode governar com esse resultado". O líder conservador já teria até mesmo iniciado discussões com partidos regionais de menor expressão, como os independentistas escoceses e os unionistas irlandeses. Na quarta-feira, o jornal The Daily Telegraph revelou que o Partido Conservador já tem um acordo com o Partido Democrático Unionista (DUP) para formar uma aliança.

Solução. Ontem à noite, políticos conservadores e trabalhistas defendiam na imprensa a renúncia ou a manutenção de Brown no poder. A definição sobre o impasse poderia sair em questão de horas, após a abertura das urnas, ou prosseguir pelos próximos 12 dias. Nesse caso, a questão muito provavelmente seria esclarecida no discurso da rainha, marcado para o dia 18.

Confusão

Mesmo nas filas, centenas de eleitores foram impedidos de votar em algumas circunscrições após o fim do horário de votação

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