Dolores Ochoa/AP Photo
Dolores Ochoa/AP Photo

Parcial da apuração no Equador indica que haverá segundo turno

O candidato do presidente Rafael Correa, Lenín Moreno, tem 38,84% dos votos válidos, contra 28,5 do ex-ministro da Economia Guillermo Lasso

Luiz Raatz / Enviado Especial, Quito, O Estado de S. Paulo

19 Fevereiro 2017 | 19h25
Atualizado 20 Fevereiro 2017 | 01h03

Parciais da apuração no Equador divulgadas no início da madrugada de hoje indicavam que o candidato governista, Lenín Moreno, não teria a vantagem necessária para vencer no primeiro turno o opositor Guillermo Lasso. Com 80,4% das urnas apuradas, Moreno tinha 38,84% dos votos. Lasso, 28,5% - precisaria obter 40% e uma vantagem de dez pontos porcentuais sobre o segundo colocado para vencer no primeiro turno.

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) informou que, apesar de a vantagem parcial ser insuficiente, só se pronunciaria oficialmente com 100% das urnas apuradas. Ainda faltavam votos de regiões distantes e de equatorianos que vivem no exterior. A ONG Participación Ciudadana, que faz uma apuração paralela com base em contagem rápida, afirmou que haveria segundo turno - Moreno teria 38,5% dos votos, com uma margem de erro de um ponto para mais ou menos.

Pesquisas de boca de urna divulgadas ontem também evitaram cravar um segundo turno. De acordo com sondagem do instituto Cedatos-Gallup, Moreno teria 39,4% dos votos. Lasso, 30,5%. Logo após a divulgação das primeiras pesquisas, Lasso disse que haveria segundo turno e ele aglutinaria a oposição contra Moreno. 

O governista declarou estar seguro de que a pequena vantagem para garantir sua vitória no primeiro turno se ampliaria, principalmente com votos do exterior. Lasso foi o mais votado nos Andes - especialmente em Quito - e na Amazônia. Moreno foi bem na região costeira, principalmente em Guayaquil, segundo a boca de urna.

A eleição começou com atrasos na montagem de urnas no início da manhã em algumas cidades do país. A partir da metade do dia, grandes filas se formaram na capital e o tempo médio de espera para votar chegava a 25 minutos.

Mais de 16,8 milhões de equatorianos foram às urnas para eleger o presidente, renovar a Assembleia Nacional e escolher representantes do Parlamento Latino - instância legislativa da Comunidade Andina, que reúne Colômbia, Equador, Peru e Bolívia. Os equatorianos também votaram em um referendo que proíbe agentes do Estado de ter recursos em paraísos fiscais.

Correa votou cedo em um colégio de Quito. O presidente disse que sentirá “saudades” de governar, mas elogiou a eleição como uma “festa democrática”. Ao se despedir, fez um sinal de coração com as mãos.

Volta em 2021. Correa está no poder desde janeiro de 2007 e alegou razões pessoais para não concorrer. A decisão foi tomada antes de a Assembleia Nacional aprovar uma emenda que permite a reeleição indefinida. Críticos de Correa dizem que, em meio à grave crise econômica, o presidente optou por se preservar agora para tentar voltar em outra oportunidade.

“A crise influenciou sua decisão. Ele esperou até o último momento e ficou de fora porque, provavelmente, o sucessor terá de tomar medidas impopulares”, disse ao Estado o economista Walter Spurrier, da Consultoria Spurrier. “Ele tem um grande talento político. Possivelmente, calculou que seria melhor voltar em 2021.”

Mais conteúdo sobre:
Equador Rafael Correa Lenín Moreno

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.