AP Photo/Muhammed Muheisen
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União Europeia ganha fôlego com derrota da extrema direita na Holanda

Partido do nacionalista Geert Wilders, considerado favorito, termina disputa com crescimento modesto; atual premiê, Mark Rutte, deve ser reconduzido ao cargo

Andrei Netto Enviado Especial / Amsterdã, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2017 | 17h24
Atualizado 16 de março de 2017 | 00h17

AMSTERDÃ  - Na eleição com a maior participação desde 1986 na Holanda, a onda neopopulista foi barrada ontem na Europa. Considerado favorito pelas pesquisas há duas semanas, o líder nacionalista e xenofóbico Geert Wilders, do Partido pela Liberdade (PVV), foi derrotado nas eleições parlamentares, que definirão o chefe de governo. 

Mark Rutte, atual primeiro-ministro e líder do Partido Popular Liberal e Democrata (VVD), obteve a maioria dos assentos na Câmara e no Senado e deve ser reconduzido ao poder em uma ampla coalizão. “A Holanda parou o populismo”, disse.

No inicio da madrugada, com 93% dos votos apurados, o partido de Rutte vinha obtendo 33 assentos de 150 disponíveis no Parlamento. A grande disputa era pelo segundo lugar entre três partidos: o PVV de Wilders projetava obter 20 deputados, enquanto o Democrata-Cristão (CDA, de direita) e o Democratas 66 (social-liberal) elegeriam 19 parlamentares cada um.

O grande derrotado foi o Partido Trabalhista (PvdA), tradicional legenda de esquerda, reduzido a 9 deputados. Os eleitores do trabalhismo, insatisfeitos com o apoio dado ao atual governo, migraram para o Partido Verde (GroenLinks), que deve fazer 15 deputados, transformando-se na legenda que mais cresceu.

A votação foi a primeira de uma série de eleições de alto risco para a União Europeia. Em meio a uma onda de populismo que resultou no Brexit, o rompimento entre Londres e Bruxelas, e na eleição de Donald Trump, o temor era o de que o partido xenofóbico e antiglobalização de Wilders obtivesse uma maioria relativa no Parlamento, registrando forte crescimento. Mas pesquisas de boca de urna indicaram a vitória do liberal Mark Rutte, cujo partido perde 25% dos assentos, mas mantém a maioria no Legislativo.

De acordo com o instituto Ipsos, os governistas elegerão 31 deputados, a maior bancada, mesmo com um forte recuo em relação a 2012, quando a legenda elegeu 41 parlamentares entre 150. O segundo lugar é disputado pelo PVV, de Wilders, pelo Partido Democrata-Cristão (CDA, de direita) e pelo Democratas 66 (social-liberal), todos com perspectiva de eleger 19 deputados. 

O grande derrotado foi o Partido Trabalhista (PvdA, de centro-esquerda), que cairá de 38 assentos para 9, enquanto o maior vencedor será o Partido Verde (GroenLinks, de centro-esquerda), que passaria de 4 para 12 deputados.

Na prática, o resultado confirma a fragmentação do cenário político da Holanda, como previam analistas. Outra constatação é a vitória de partidos pró-União Europeia, já que a legenda de Wilders não se beneficiou de um “efeito Brexit” ou “efeito Trump” e acabou isolada após a campanha em que defendeu o “Nexit”, a ruptura entre a Amsterdã e Bruxelas. 

Seu resultado ficou longe das 30 cadeiras no Parlamento, que chegaram a ser projetadas por institutos de pesquisas há duas semanas. Ainda assim, via Twitter, o líder de extrema direita celebrou o resultado. “Ganhamos assentos! Esta é a primeira vitória!”, afirmou, referindo-se ao salto de 12 para 20 cadeiras.

O premiê terá agora a missão de formar uma coalizão que precisará reunir ao menos quatro partidos, considerando-se a rejeição natural a uma aliança com o PVV. A hipótese que lhe daria maior bancada, com 85 deputados, seria um acordo com democratas-cristãos, sociais-liberais e verdes, o que daria ao governo uma linha de centro-direita, liberal e pró-UE.

O resultado da eleição na Holanda e a alta participação foram celebrados também fora do país. “Uma ampla maioria dos holandeses rejeitou os populistas anti-Europa. Isso é uma ótima notícia”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha via redes sociais. O premiê italiano, Paolo Gentiloni, afirmou: “Não ao Nexit! Os anti-UE perderam a eleição holandesa. Cooperação comum para mudar e relançar o bloco.”

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