REUTERS/Toby Melville
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May sofre revés em eleição e perde força para concluir o Brexit

Partido Conservador caiu de 331 cadeiras no Parlamento para 318, quando 326 são necessárias para obter a maioria; trabalhistas ganham força

O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2017 | 18h08
Atualizado 09 de junho de 2017 | 06h05

LONDRES - A primeira-ministra britânica, Theresa May, perdeu a maioria absoluta no Parlamento, apesar de seu Partido Conservador ter vencido o maior número de cadeiras em disputa. O partido recuou de 331 para 318 assentos no Parlamento - a maioria é de 326. May ainda pode se manter o cargo, mas perderá força para negociar o Brexit com a União Europeia. 

O Partido Trabalhista, de Jeremy Corbyn, avançou de 229 para 261 deputados e os liberal-democratas, de 9 para 12. O Partido Nacionalista Escocês elegeu 35 deputados dos 650 da Câmara dos Comuns, 21 a menos que na última eleição. 

Em abril, com a popularidade em alta, May decidiu antecipar a eleição, em uma tentativa de ampliar sua bancada no Parlamento e obter mais respaldo para negociar o Brexit com a União Europeia. Uma campanha confusa, marcada por erros de estratégia, além dos recentes atentados em Londres e Manchester, fizeram sua vantagem encolher de 20 pontos para 10 na última semana. 

Dentro do Partido Conservador, logo após a divulgação da pesquisa, surgiram temores sobre a viabilidade de May se manter no cargo, principalmente entre o setor sob influência do ex-premiê David Cameron.

O ex-ministro de Finanças britânicos George Osborne, do Partido Conservador, que foi demitido por May após ela assumir o governo, considerou uma “completa catástrofe” a projeção. “Se confirmados esses números, será difícil para ela manter uma coalizão e o cargo”, disse. “Por outro lado, também será difícil para os trabalhistas montarem uma coalizão.”

Em discurso na madrugada desta sexta-feira, May pediu “estabilidade”. “O país precisa de um período de estabilidade e qualquer que seja os resultado, o Partido Conservador garantirá a tarefa de garantir esta estabilidade”, disse a premiê. 

Vários analistas britânicos apontaram, no entanto, que estabilidade política havia antes de May convocar as eleições antecipadas. Agora, a premiê tentará formar um governo e negociar o Brexit em uma posição mais vulnerável. 

“Com as negociações diretas do Brexit marcadas para começar no dia 19, o timing não podia ser pior”, avaliou Paul Hollingsworth, economista da Capital Economics, em Londres. “O quadro geral é de uma incerteza política que pode levar semanas ou meses para ser resolvida”, acrescentou. 

Do lado trabalhista, a assessora do partido Emily Thornberry defendeu a renúncia da premiê. “Ela tem de sair. Ela fracassou rotundamente.” Os nacionalistas escoceses, que na última eleição elegeram 54 das 60 cadeiras correspondentes à Escócia, perderam quase metade da bancada. O país era um tradicional reduto trabalhista.

A eleição de ontem transcorreu sob forte esquema de segurança. Policiais e equipes antiterrorismo patrulharam pontos de votação e locais públicos ao longo de todo o dia. “Foi um dia muito assustador o sábado”, disse Rachel Sheard, de 22 anos. “Por isso acho que os eleitores estão pensando mais em segurança do que no Brexit.”

“Fiz a minha escolha com base nestas duas questões: ter um bom acordo sobre o Brexit e a segurança”, declarou Angus Ditmas, de 25 anos, em um bairro do norte de Londres. No mesmo local, Simon Bolton, de 41 anos, afirmou que deseja votar num “líder forte, alguém que transmita segurança, que poderá obter o melhor acordo possível para o Brexit”.

O apoio a cortes em programas sociais e impostos para custear o atendimento a idosos encurtaram a liderança de May. Com os ataques, sua liderança e credenciais como ministra do Interior por seis anos foram colocadas em xeque por Corbyn.

Nos últimos dias de campanha, May tentou radicalizar o discurso antiterrorista e chegou a prometer a revisão de algumas leis dos direitos humanos para prender suspeitos de terrorismo sem indiciamento. / AP, AFP e REUTERS

 

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