Boeing atingido por raio parte-se em 3

Acidente em ilha colombiana deixou 1 passageiro morto e pelo menos 5 gravemente feridos; brasileiros escapam praticamente ilesos

, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2010 | 00h00

Destruição. Policiais isolam os destroços da aeronaves que se partiu ao deslizar pelo solo; passageiros ficaram espalhados pela pista de pouso                  

 

 

 

 

 

BOGOTÁ

Um Boeing 737-700 da companhia aérea colombiana Aires partiu-se em três pedaços depois de fazer um pouso de emergência no Aeroporto Gustavo Rojas Pinilla, na ilha caribenha de San Andrés, ao norte da Colômbia, provocando a morte de uma passageira e deixando outras cinco pessoas em estado grave. Segundo testemunhas, o avião, que partira de Bogotá com 131 ocupantes, foi atingido por um raio.

"A perícia do piloto evitou que o avião batesse no edifício do terminal do aeroporto", disse o coronel David Barrero, comandante do grupo da Força Aérea colombiana responsável pela região. Segundo ele, a aeronave tocou o solo quando ainda faltavam cem metros para o início da pista, às 3h50 (hora de Brasília). Como estava a 180 quilômetros por hora, o Boeing de mais de 50 toneladas partiu-se em três ao deslizar sobre o asfalto.

Além dos 6 tripulantes, 125 passageiros estavam a bordo, entre eles um bebê de um 1 ano e meio. A passageira morta foi identificada como Amar Fernández de Barreto, de 68 anos. Ela teria sofrido um enfarte quando era transportada numa ambulância para um hospital local.

Entre os feridos, está uma menina de 12 anos, que, de acordo com relatos divergentes das agências de notícias, pode ter sofrido uma fratura na pélvis e hemorragia interna ou uma fratura no crânio. Dezenas de outros passageiros sofreram cortes superficiais, torções e fraturas nos pulsos e nas mãos. O piloto Wilson Gutiérrez sofreu cortes no rosto e está em observação.

Segundo o Itamaraty, havia pelo menos quatro brasileiros no voo (mais informações nesta página). Além deles, cinco americanos, dois alemães, dois costa-riquenhos e cinco franceses também viajavam no avião, de acordo com a companhia aérea.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos - que assumiu o cargo há pouco mais de uma semana e há quatro dias enfrentou um ataque terrorista em Bogotá - telefonou para Luis Carlos Barreto, viúvo da única passageira morta no acidente.

Pânico. Em entrevista à Rádio Caracol, da Colômbia, um dos sobreviventes, o engenheiro Ricardo Ramírez, disse que, antes da aterrissagem, "havia uma tempestade e tudo estava completamente escuro. Só era possível ver os relâmpagos no céu". "O avião vinha bem, já estávamos praticamente aterrissando, estava tudo sob controle, estávamos contentes quando o acidente ocorreu", disse. "Minha primeira reação foi soltar o cinto de segurança e fazer o mesmo com o cinto que prendia a minha mulher. Corremos para sair do avião, que já estava em chamas."

O ministro de Transporte da Colômbia, Germán Cardona, viajou à ilha e confirmou que o avião era novo e havia cumprido com todos os procedimentos de segurança ontem à noite, antes de sair do Aeroporto El Dorado, em Bogotá.

"Havia uma situação meteorológica bastante difícil ao chegar à ilha, infelizmente uma pessoa morreu. Mas não foi por causa do acidente, foi no transporte para um dos centros assistenciais", disse Cardona.

"É incrível. Pelas dimensões do acidente, seria previsível que tivéssemos um número maior (de mortos)", disse Robert Sánchez, diretor do Hospital Amor de Pátria, na Ilha de San Andrés, para onde foram levados pelo menos 90 dos passageiros feridos.

Turismo afetado. Uma comissão da Aeronáutica Civil e da Força Aérea colombiana iniciaram imediatamente a investigação do acidente.

O Aeroporto Gustavo Rojas Pinilla permanecerá fechado por tempo indeterminado porque inúmeras peças e partes da fuselagem da aeronave destruída foram espalhadas pelos 2.380 metros de extensão da pista de pouso. O fechamento do aeroporto deve afetar momentaneamente o turismo, principal motor econômico da ilha, que tem 78 mil habitantes e está a 190 quilômetros da Nicarágua, no Mar do Caribe. / AP, EFE e AFP

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