REUTERS / Jose Miguel Gomez
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Bogotá acusa Maduro de ignorar crise

Presidente venezuelano não atendeu telefonema de Juan Manuel Santos para tratar da situação na fronteira, diz chanceler colombiana

Roberto Lameirinhas ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2015 | 02h00

Um dia depois da reunião com sua colega venezuelana, Delcy Rodríguez, a chanceler colombiana, María Ángela Holguín, afirmou nesta quinta-feira, 27, que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, não atendeu no sábado um telefonema do líder da Colômbia, Juan Manuel Santos, para tratar da crise causada pelo fechamento da fronteira entre os dois países, no dia 19. O governo de Caracas não tinha confirmado a informação de María Ángela até a noite desta quinta-feira, feita em declarações à Rádio Caracol, de Bogotá.

O encontro entre as duas chanceleres, na cidade colombiana de Cartagena, terminou sem avanços no sentido de atenuar a tensão na fronteiras. As equipes coordenadas pelas duas ministras concordaram apenas em realizar uma nova reunião de trabalho na próxima semana.

Em Caracas, no entanto, Maduro afirmou que a passagem entre os dois países, que compartilham 2,2 mil quilômetros de fronteira, não será reaberta enquanto o governo colombiano não adotar leis que proíbam explicitamente o comércio de produtos contrabandeados da Venezuela e o que qualifica de “ataque à moeda venezuelana”.

Maduro também criticou a visita que o presidente Santos fez na quarta-feira à cidade de Cúcuta, na fronteira com a Venezuela, onde conversou com colombianos que foram deportados. Maduro declarou que Santos “mentiu” em suas declarações e assegurou que seu país recebeu mais de 5 milhões de colombianos nos últimos nove anos “fugindo da miséria, do desemprego, da guerra e da oligarquia da Colômbia”. 

“Por que eles vêm para a Venezuela? Porque aqui há trabalho, há saúde pública, há educação pública, há a missão alimentação, há solidariedade e pátria de verdade, não governa a oligarquia colombiana”, disse. 

“A Colômbia tornou-se uma exportadora de pobres que fogem da miséria, fogem da guerra e dos esquartejadores paramilitares de Álvaro Uribe Vélez (ex-presidente colombiano)”, acrescentou. 

O governo venezuelano justificou o fechamento da fronteira e a posterior declaração do estado de emergência em seis cidades da região com o argumento de que pelo menos 30% dos produtos a preços subsidiados por Caracas estavam sendo desviados para o território colombiano. 

Além disso, de acordo com o governo de Maduro, a região de San Antonio de Táchira, vizinha da colombiana Cúcuta, havia se transformado em “base” de paramilitares da Colômbia. Um ataque atribuído a esses grupos armados feriu, no dia em que Maduro anunciou o fechamento, quatro agentes do Estado venezuelano em Táchira. Duas das vítimas do ataque seguiam em estado grave.

Denúncias. A oposição venezuelana, no entanto, acusa Maduro de criar uma crise artificial na fronteira para desviar a atenção da população dos graves problemas econômicos vividos pelo país. Ao mesmo tempo, grupos de defesa de direitos humanos denunciam violações por parte de militares venezuelanos na fronteira.

Mais de 1.000 colombianos que viviam ilegalmente em San Antonio de Táchira foram deportados pelo governo da Venezuela e, segundo alguns testemunhos, suas casas têm sido marcadas e demolidas por tratores a serviço do governo venezuelano – que rejeita as acusações de violações de direitos humanos. 

Em Cúcuta, que na véspera recebeu a visita de Santos, as autoridades colombianas buscam abrigo para os deportados e tentam resolver problemas de abastecimento causados pelo fechamento da Ponte Internacional Simón Bolívar – principalmente causados pela falta de gasolina em seus postos de serviço.


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