Bogotá afasta 25 militares por envolvimento em massacres

Expurgo no Exército ocorre durante visita de comissária da ONU ao país

EFE E AFP, O Estadao de S.Paulo

30 de outubro de 2008 | 00h00

O governo colombiano anunciou ontem o afastamento de 27 militares - entre eles três generais - acusados de "conspirar com delinqüentes" e participar de execuções extrajudiciais. O expurgo ocorre num momento em que diversas ONGs denunciam abusos por parte da polícia e do Exército da Colômbia e o país recebe a visita da alta-comissária da ONU Nancy Pillay, cuja missão é verificar o respeito aos direitos humanos em território colombiano. Segundo uma investigação do Ministério da Defesa, boa parte dos militares afastados estaria envolvida no desaparecimento de cerca de 20 jovens da localidade de Soacha, ao sul de Bogotá, no início do ano. Seus corpos foram deixados numa vala comum no nordeste do país - em uma área onde a ação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) é intensa - e posteriormente registrados como guerrilheiros "mortos em combate". De acordo com o jornal New York Times, a revelação desse e outros crimes cometidos pelos militares "lança dúvidas" sobre a guerra de Bogotá contra as Farc, financiada pelo governo americano. "Com a investigação descobriu-se que podem haver integrantes das das Forças Armadas envolvidos em assassinatos", disse o presidente colombiano, Álvaro Uribe, numa entrevista coletiva da qual também participaram o comandante das Forças Armadas, general Freddy Padilla, e o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos. "Em algumas instâncias (do Exército) houve negligência e falta de cuidado com os procedimentos que devem ser observados", completou. Segundo Uribe, em certas regiões há militares que "assassinam inocentes para passar a impressão de que naquele local há um enfrentamento contra criminosos, quando os verdadeiros criminosos estão associados com o Exército para cometer delitos". De acordo com um relatório da ONG Missão Internacional de Observação divulgado ontem, 1.300 colombianos foram vítimas de execuções extrajudiciais desde 2002, quando Uribe assumiu o poder. No último ano e meio, o número de executados foi de 535. O governo colombiano não se pronunciou sobre o comunicado das Farc divulgado na terça-feira, no qual a guerrilha aceita a proposta de diálogo feita por um grupo de intelectuais com o objetivo de "encontrar caminhos para a paz" no país. Moris Ákerman, um dos autores da proposta, disse ao jornal El Tiempo, de Bogotá, que o próximo passo para levar o projeto adiante deve ser uma troca de e-mails aberta com a cúpula das Farc.

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