Bogotá aposentará militar que espionou processo de paz

General que tinha banco de dados sobre as Farc e outros integrantes da negociação de Havana deixa cargo até fim do ano

BOGOTÁ, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2014 | 02h03

As Forças Armadas da Colômbia aposentarão ainda neste ano o general Mauricio Forero, flagrado usando espionagem para reunir um banco de dados sobre cerca de 500 pessoas envolvidas nas negociações de paz entre o governo do presidente Juan Manuel Santos e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

A informação foi revelada ontem pela rede jornalística Caracol, a maior do país. Entre os espionados estão integrantes da guerrilha, negociadores do governo, políticos e jornalistas.

A notícia de que Forero mantinha os dados obtidos de forma irregular foi publicada ontem pela revista colombiana Semana. A reação imediata das Forças Armadas foi anunciar que o general permaneceria fora de serviço - o comando do Exército, segundo a revista, já teria conhecimento do caso há duas semanas e decidira dar férias ao subordinado.

A decisão mudou durante a madrugada. Forero será substituído nas funções pelo general Nicasio de Jesús Martínez.

O comandante do Exército colombiano, Jaime Lasprilla, disse ontem que a instituição investigará o caso "até o fim" e informou que, além de Forero, há entre 10 e 15 militares indiciados que estão sendo interrogados com auxílio de detectores de mentiras.

A coleta ilegal de dados feita pelo general é o segundo caso do tipo que surge em meio às negociações de Bogotá com a guerrilha, processo que é conduzido em Havana há dois anos.

Em maio deste ano, a Procuradoria Geral da Colômbia descobriu uma sala de espionagem montada por um grupo de militares para interceptar e guardar mensagens eletrônicas trocadas entre integrantes das Farc e negociadores do governo. O caso ganhou o apelido de Operação Andrômeda,

EUA. As Farc pediram ontem, em Havana, que os Estados Unidos "aceitem sua responsabilidade" no conflito entre a guerrilha e o governo da Colômbia.

Em comunicado distribuído em meio às negociações na capital cubana, o grupo afirmou que o apoio dado pelos americanos a Bogotá - como no caso do Plano Colômbia - foi decisivo para que as tensões se acirrassem e o número de mortos chegasse aos 200 mil.

Os guerrilheiros destacaram no texto o que chamaram de "condução político-militar da guerra por parte do Departamento de Estado e, em especial, do Comando Sul e a intervenção e a participação direta com marines em operações".

O comunicado foi lido para jornalistas por Luis Eliécer Rueda, que adota o nome de combate de "Matías Aldecoa", comandante do bloco ocidental da guerrilha, que está em Havana para o processo de paz.

A Casa Branca e o Departamento de Estado não responderam imediatamente às acusações das Farc. A guerrilha diz que uma admissão de culpa pelos EUA é fundamental para que se alcance a paz definitiva com Bogotá. / EFE e REUTERS

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