Bogotá aposta no confronto com guerrilha

Em vez de caçar rebeldes, governo realiza ataques estratégicos para enfraquecer as Farc

LUIZ RAATZ, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2012 | 03h03

Após a libertação dos dez últimos reféns militares pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), na segunda-feira, o presidente Juan Manuel Santos pediu "mais provas" de que a guerrilha queira a paz. Com o fim dos sequestros políticos, dizem analistas, o governo colombiano aposta no confronto. O foco da estratégia, em vez de caçar os guerrilheiros, consiste em ataques estratégicos que debilitem suas fontes de recursos.

Santos defende seu projeto com números. Segundo o presidente, entre janeiro e março de 2011, as forças de segurança colombianas mataram 74 guerrilheiros e prenderam 350. No mesmo período do ano passado, ocorreram 148 mortes e 723 capturas: um aumento de 100% e 106%, respectivamente.

Com os líderes históricos das Farc - Manuel Marulanda, Raúl Reyes, Mono Jojoy e Alfonso Cano - mortos, o governo c decidiu priorizar o ataque a acampamentos da guerrilha que ocultam armamentos e recursos provenientes do narcotráfico.

Nas semanas que antecederam a libertação dos reféns, foram duas operações. Na primeira, 33 guerrilheiros morreram em um ataque a uma base próxima da fronteira com a Venezuela. O outro bombardeio, no Departamento (Estado) de Meta, deixou 32 mortos.

"As Farc aprenderam a se reorganizar com as baixas impostas pelo Exército. Timochenko substituiu Cano, que sucedera a Marulanda", disse por telefone ao Estado o cientista político Carlos Medina, da Universidade Nacional da Colômbia. "Ao mesmo tempo, a força pública soube se reorganizar e, com a ajuda do Plano Colômbia e dos serviço de inteligência, obteve a capacidade de conduzir esses ataques que produzem um número maior de mortes."

Ainda de acordo com o analista, o plano de Santos pode não surtir o efeito desejado em razão da natureza da guerra de guerrilhas. As frentes das Farc podem se desmembrar em grupos menores e lançar ataques como o que matou 11 policiais no começo de março. "Assim, o conflito pode continuar por 50 anos sem uma vitória final", diz.

Hoje, estima-se que a guerrilha tenha cerca de 9 mil homens distribuídos em 64 frentes. Além do narcotráfico, as Farc arrecadam dinheiro por meio da extorsão de comerciante, pecuaristas e do sequestro de civis, prática que ainda não foi abandonada.

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