Bogotá assinará acordo com EUA no fim de semana

Ministro colombiano afirma que Washington investirá US$ 46 milhões na melhoria de bases militares no país

EFE E AP, O Estadao de S.Paulo

13 de agosto de 2009 | 00h00

O comandante das Forças Armadas colombianas, general Freddy Padilla, afirmou ontem que Bogotá e Washington devem terminar neste fim de semana a negociação do acordo que prevê a cessão do uso de sete bases militares colombianas aos EUA por um período de dez anos. "Se Deus nos ajudar, no fim de semana estará tudo certo", afirmou o general durante uma visita à Base Aérea de Palanquero, na região central da Colômbia, uma das sete bases que os EUA poderiam usar após a assinatura do acordo. Os EUA, segundo Padilla, investirão US$ 46 milhões em Palanquero, considerada estratégica por sua localização.O general afirmou que a liberação do dinheiro já teria sido autorizada pelo Congresso americano. O financiamento, no entanto, embora tenha sido aprovado na Câmara dos Representantes, ainda tem de passar pelo Senado. A quantia será utilizada para ampliar os 3.500 metros da pista de pouso da base de Palanquero.Padilla informou também que uma comissão colombiana - formada por funcionários dos Ministérios do Interior, Justiça, Relações Exteriores e Defesa - embarcou ontem para Washington para fechar os últimos detalhes das negociações.Segundo o general, depois de fechado o acordo, EUA e Colômbia entrarão na fase administrativa e redigirão os documentos que os respectivos governos deverão assinar.Washington e Bogotá estão negociando um acordo para que os EUA utilizem bases colombianas para operações conjuntas na luta contra o tráfico de drogas, antes realizadas a partir da base equatoriana de Manta, cuja concessão não foi renovada por Quito.Segundo o acordo, os EUA poderão enviar até 1.400 homens - 800 soldados e 600 civis. O governo da Colômbia, no entanto, insiste em dizer que serão os colombianos que seguirão no comando, que controlarão as operações, o regulamento, a supervisão e a segurança física das bases.Mesmo assim, os planos incomodam alguns presidentes da região, entre eles o da Venezuela, Hugo Chávez, que congelou as relações com a Colômbia e declarou que o acordo pode "causar" uma guerra na América do Sul".Em razão das críticas, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, visitou sete países latino-americanos na semana passada - entre eles o Brasil - para explicar o acordo. Uribe teve apoio do Peru e conseguiu amenizar o discurso da presidente do Chile, Michele Bachelet, mas ainda enfrenta forte oposição de três de seus vizinhos: Brasil, Venezuela e Equador.Ontem, em visita à Bolívia, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Manouchehr Mottaki, disse que Teerã também é contra o acordo militar entre Colômbia e EUA. "A República Islâmica se opõe a qualquer base militar estrangeira em qualquer lugar do mundo", disse o chanceler .CALDERÓNO presidente mexicano, Felipe Calderón, chegou ontem a Bogotá, primeira escala de seu giro pela América do Sul. A viagem de Calderón tem o objetivo de fortalecer as relações econômicas com países da região. Ele desembarca hoje no Uruguai e, no sábado, chega ao Brasil, onde permanece até o dia 17, antes de voltar ao México.

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