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Bogotá atribui avanço a eficácia do super tucano

Força Aérea colombiana considera caça da Embraer fundamental em luta contra as Farc

Roberto Godoy, O Estado de S. Paulo

26 de julho de 2015 | 08h41

Em 2008 o último dia de fevereiro foi intenso no acampamento do comando do bloco sudoeste das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc.

Luis Edgard Devia Silva, o comandante Raúl Reyes, um nome de guerra, fora às compras. Das bancas da feira de Santa Rosa de Sucumbíos, no Equador, levara o estoque das ervas medicinais de seu uso, milho graúdo e fitas de cabelo, prováveis presentes. Com novas baterias no computador, trabalhou até bem tarde na barraca preta, coberta por uma rede de camuflagem, a apenas 1,8 quilômetro da fronteira com a Colômbia.

Na madrugada do dia seguinte, 1.º de março, Reyes foi morto durante um ataque do esquadrão Grifo, da Força Aérea e dos times especiais do Exército colombianos. Ele dormia de pijama quando as bombas caíram sobre a área de 5 mil met². Outros 23 guerrilheiros - homens e mulheres, também morreram.

A Operação Fênix, envolvendo informações de inteligência coletadas por serviços dos EUA, jatos leves Cessna, do tipo A-37 Dragonfly, com cerca de 40 anos, e turboélices Super Tucanos, brasileiros, fornecidos pela Embraer, é considerada o ponto de mudança na guerra civil que já dura 50 anos.

O presidente Juan Manuel Santos discute hoje com o Comando Central das Farc, um modelo de cessar-fogo - na prática, a redução gradual da intensidade do confronto, e um armistício que pode chegar a 40 dias, preparando o pacto final de paz. As possibilidades são consideradas promissoras. O contingente rebelde está reduzido a 7,5 mil militantes e não menos de 7 de seus principais chefes foram eliminados em ações militares.

O dinheiro anda curto. Os líderes dos cartéis de drogas, que por muito tempo pagaram caro para ter grupos guerrilheiros como escudo protetor das plantações de coca, das usinas de refino, e das rotas de escoamento, agora temem a reação do governo. “Entendem que é mais fácil lidar com um processo por tráfico que encarar a Justiça por terrorismo”, declarou um diplomata colombiano ao Estado. Outras fontes de recursos - sequestros de empresários ou executivos e a chantagem milionária, diminuíram. 

Tucano. As tropas regulares nacionais, bem preparadas e equipadas, acumulam sucessos. Todavia, o marco inicial do processo está diretamente vinculado a um equipamento produzido no Brasil, o A-29 Super Tucano, de ataque leve e apoio à tropa.

Em 2005 a aviação de Bogotá comprou 25 unidades por aproximadamente US$ 235 milhões. A frota foi entregue entre 2006 e 2008. Um exemplar foi perdido - provavelmente derrubado pelas Farc.

No mesmo ano, 2006, do recebimento das três aeronaves iniciais, o governo americano decidiu elevar o nível tecnológico da ajuda militar ao esforço colombiano. “Além de fornecer acesso em tempo real aos meios de inteligência - informações de satélite, por exemplo - a Defesa local passou a dispor de sistemas para guiar bombas até os alvos”, relatou um ex-assessor militar americano com longa passagem pelo país.

Os códigos de programação, entretanto, ficavam nos EUA: o Departamento de Estado temia que as armas viessem a ser mal empregadas. O embargo foi suspenso apenas em 2010. Cada conjunto, pronto para a montagem nas bombas “burras” de 227 quilos, e sem capacidade de navegação, custa US$ 23 mil, baixo custo, para os padrões do mercado de equipamentos militares. Foram testados os dois tipos de aviões disponíveis: o velho Dragonfly e os novos Super Tucano - com eletrônica embarcada recente. Nos lançamentos de ensaio as bombas chegaram aos alvos com apenas um metro de erro. As primeiras, das séries Paveway, acabaram montadas a bordo dos Dragonfly americanos.

Nos bombardeios, os Cessna, dois ou três jatos, despejavam sua carga de precisão depois da passagem de cinco, até oito. Super Tucanos dotados de armas sem o sistema. Tinham sido 27 bombardeios de 2008 a 2014. Gradativamente a configuração foi sendo alterada e, de acordo com o especialista, as bombas guiadas por feixe de luz laser passaram a ser disparadas preferencialmente do avião brasileiro, “decisivo no enfrentamento”. Na destruição do acampamento de Reyes os A-29 da Embraer teriam empregado a versão Griffin, israelense.

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