Bogotá autoriza resgate venezuelano

Com sinal verde de Uribe, Chávez lança ?Operação Transparência?, envolvendo 8 países, para buscar 3 reféns das Farc

Mariana Della Barba, CARACAS, O Estadao de S.Paulo

27 de dezembro de 2007 | 00h00

A Venezuela começou a pôr ontem em andamento seu plano para recolher na selva colombiana três reféns que o grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) prometeu libertar. Numa entrevista coletiva de mais de duas horas iniciada pouco antes do meio-dia em Caracas, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, deu detalhes do plano e afirmou que estava apenas esperando o sinal verde do presidente colombiano, Álvaro Uribe, para colocá-lo em prática. Menos de duas horas depois, Uribe autorizou a entrada de enviados do venezuelano na selva da Colômbia para receber dos guerrilheiros a ex-deputada Consuelo González de Perdomo, Clara Rojas (assessora da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt) e seu filho Emmanuel, que nasceu no cativeiro há três anos.Chávez afirmou que a "caravana" partiria logo após o aval de Bogotá, possivelmente ainda na noite de ontem. Chávez disse que detalhou sua estratégia e pediu o aval colombiano porque queria "uma operação humanitária transparente, com acompanhamento do mundo todo". Ele assinalou que, se o aval não viesse, seria obrigado a "ativar fórmulas clandestinas também já planejadas".Para corroborar sua "Operação Transparência", como qualificou o processo, convidou representantes de seis países, além da Colômbia, para integrar a ação: França, Argentina, Brasil, Bolívia, Cuba e Equador. "Alguns enviados já estão em Caracas, e outros, a caminho." O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviará seu assessor Marco Aurélio Garcia (ler na pág. 12). "Ele (Garcia) está aqui perto, de férias na Amazônia", disse Chávez. O presidente venezuelano agradeceu ao menos dez vezes a prontidão dos líderes "dos países irmãos" e da França por atenderem a seu pedido em plena época natalina: "Todos responderam rápido e disseram estar dispostos a ajudar." Segundo ele, isso mostra como a Venezuela tem boas relações com quase todos os países, menos com os EUA. "Esse é o nosso probleminha. Fora isso, até a China teria nos apoiado se tivéssemos solicitado."Chávez assinalou que a única exigência feita pelas Farc foi que os reféns fossem entregues ao governo venezuelano. Ele afirmou que convidou os parentes dos cativos para acompanhar o processo na Venezuela e disse que eles podem ser levados para a Colômbia em seguida. "Estou muito ansioso. Ansioso para abraçar e beijar Emmanuel, o menino Jesus. Até sonhei com ele esta noite. Ele era gordinho e alegre como meu filho Hugo quando era pequeno", afirmou Chávez. Ele terminou fazendo um elogio às Farc - "elas têm, sim, um projeto político" - e dando um recado a Uribe, que o expulsou formalmente em novembro do processo de libertação por interferir em assuntos internos de Bogotá. "Se o governo colombiano convidar, volto às negociações, para trazer de volta todos os reféns, incluindo Ingrid (seqüestrada em 2002) e os dois gringos, e acabar de vez com essa guerra."

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