Bogotá estuda mudar inteligência

Ministro da Defesa quer substituição por entidade civil

AFP, O Estadao de S.Paulo

25 de fevereiro de 2009 | 00h00

O ministro de Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, disse ontem que recomendará ao presidente Álvaro Uribe que acabe com a agência de inteligência colombiana, substituindo-a por uma entidade civil. Neste fim de semana, a revista Semana, de Bogotá, deu início a um grande escândalo ao revelar que funcionários da agência, que recebe o nome de Departamento Administrativo de Segurança (DAS), interceptaram ilegalmente telefonemas de juízes, opositores, jornalistas e integrantes do governo. As declarações de Santos foram feitas em Washington, após encontro com o secretário de Defesa americano, Robert Gates, no qual discutiram a ampliação da cooperação militar entre os países para além do combate ao narcotráfico. "(O DAS) já é um doente em estado terminal ao qual precisamos dar uma sepultura", afirmou Santos, um dos funcionários cujo telefone teria sido grampeado. "Devemos criar uma nova entidade mais moderna, menos custosa e mais flexível", completou, acrescentando que esse novo órgão não estaria vinculado a forças militares. Segundo analistas, as escutas ilegais voltam a lançar dúvidas sobre a Política de Segurança Democrática, base da guerra de Uribe contra a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), grupos paramilitares e o narcotráfico. As gravações ilegais - feitas com tecnologia repassada por países como EUA e Grã-Bretanha para programas de cooperação de combate às drogas - são uma indicação de que Bogotá pode ter menos controle sobre seu aparato de segurança do que gostaria. O escândalo das escutas provocou a renúncia do subdiretor de contrainteligência, Jorge Alberto Lagos, e outros dois funcionários do órgão. Na segunda-feira, Uribe acusou "uma máfia criminosa infiltrada" de ser responsável pelas interceptações, lembrando que, segundo as denúncias, os funcionários do DAS também teriam oferecido os serviços para narcotraficantes e guerrilheiros.Apesar de a Política de Segurança Democrática ter reduzido os índices de sequestros e homicídios no país, esse não é o primeiro escândalo a abalar sua legitimidade. Militares colombianos estão sendo acusados de executar civis e registrá-los como "combatentes mortos em confronto".

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