Bogotá negociará paz com guerrilha, diz TV

Após se comprometer a não extraditar rebeldes, Colômbia estaria pronta para dialogar com as Farc a partir de outubro na capital norueguesa

FANIA RODRIGUES , ESPECIAL PARA O ESTADO / CARACAS, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2012 | 03h09

O presidente Juan Manuel Santos e as Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia (Farc) concordaram em dar início a negociações de paz. A informação foi divulgada ontem pela TV venezuelana Telesur, pela Reuters e por veículos da imprensa colombiana. A abertura do processo de paz seria resultado de um diálogo indireto iniciado em maio, em Havana, e incluiria garantias de que nenhum guerrilheiro será extraditado da Colômbia.

Até agora, porém, nenhuma autoridade anunciou oficialmente o início do processo de paz. Um funcionário colombiano de alto escalão negou a existência de qualquer diálogo, enquanto outro afirmou que apenas o presidente Santos poderia confirmar a informação. As notícias sobre a negociação publicadas ontem tinham por base fontes que aceitaram falar em condição de anonimato.

Caso a informação seja confirmada, será a primeira vez em mais de dez anos que os dois lados tentam encontrar uma solução política para o conflito colombiano, que já dura cinco décadas. Estima-se que mais de 60 mil pessoas morreram na luta entre o Estado e a guerrilha - número superior ao de todas as ditaduras sul-americanas juntas.

Em Havana, emissários de Santos teriam se sentado à mesa de diálogo com integrantes das Farc. Entre os líderes guerrilheiros, estaria Mauricio Jaramillo, conhecido como "El Médico", um dos sete secretários do Estado-Maior da guerrilha.

O dialogo inicial foi intermediado por observadores de Cuba, Venezuela, Nicarágua e Noruega, segundo a Telesur. Ainda de acordo com a emissora venezuelana, as negociações formais terão início em outubro em Oslo, capital norueguesa.

Em seguida, representantes dos dois lados retornariam a Havana, onde buscariam um acordo final. O governo americano acompanha "de perto" a negociação, de acordo com uma fonte da inteligência colombiana.

Outro aceno. Segundo autoridades ouvidas pela imprensa de Bogotá, o ex-presidente colombiano César Gaviria Trujillo, que foi secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), lideraria o processo de paz. Gaviria teria sido convocado ontem "com urgência" ao palácio presidencial para conversar com Santos.

Ao mesmo tempo em que cresciam os rumores sobre a negociação entre as Farc e o governo, o segundo maior grupo guerrilheiro da Colômbia, o Exército de Libertação Nacional (ELN), anunciou que aceitará negociações incondicionais com Bogotá.

Em uma rara entrevista, o líder do grupo, Nicolás Rodríguez, disse estar pronto para o diálogo, mas anunciou que as ações da organização - incluindo sequestros e ataques - continuarão até o início das conversações.

Em entrevista à radio colombiana La W, o procurador-geral colombiano, Eduardo Montealegre, afirmou ontem que "a saída para o conflito na Colômbia não será pela via das armas". "A superação desse conflito de tantas décadas será por meio de um processo de paz. Esse é um direito constitucional", disse.

Santos, no entanto, foi duramente criticado por seu antecessor e ex-aliado Álvaro Uribe. Em uma palestra para estudantes na cidade de Barranquilla, no norte do país, o ex-presidente denunciou a "cumplicidade" de Santos com a guerrilha e o acusou de usar a negociação de paz para impulsionar sua candidatura à reeleição em 2014. / COM REUTERS e EFE

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