Bogotá pede que Farc mostre vontade de dialogar

O vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos, pediu nesta quarta-feira às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que demonstrem com atitudes sua vontade de manter um diálogo para fazer um acordo humanitário sobre a libertação de pessoas mantidas como reféns pelo grupo. O principal gesto da guerrilha para demonstrar essa vontade seria "deixar o terrorismo", afirmou Santos. O vice-presidente participa de um fórum internacional sobre a luta contra o crime organizado, no Principado de Mônaco. Em 20 de outubro, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, suspendeu as negociações para libertar as pessoas seqüestradas pelas Farc, após responsabilizar a guerrilha pelo atentado do dia anterior contra uma instalação militar de Bogotá, quando 20 pessoas ficaram feridas. Francisco Santos afirmou que, após as eleições presidenciais de maio, que reelegeram Uribe, o Governo mudou de atitude e abriu as portas às negociações com as Farc. "A única resposta foi a dos atentados", apontou o vice-presidente colombiano, que deixou claro que estes atos "não intimidam nem pressionam o Governo" e especificou que um ato de "generosidade não pode ser interpretado como fraqueza". Santos ressaltou que no atual contexto, a única maneira de recompor o processo fracassado é se as Farc tiverem atitudes de paz, sendo que a mais clara seria abandonar o terrorismo. Por isso, passou a responsabilidade de um possível retorno ao diálogo para a guerrilha: "A bola está em suas mãos". Troca humanitária Antes do atentado de Bogotá, o Governo e a guerrilha discutiam a possibilidade de uma troca humanitária que daria fim ao seqüestro de 59 pessoas em poder das Farc. Em troca, o governo libertaria um número indeterminado de guerrilheiros presos. Após seu discurso no fórum de Mônaco, Francisco Santos segue, ainda nesta quarta-feira, para Londres, onde vai participar de uma reunião com representantes da luta contra o tráfico de drogas de dez países europeus, marcada para quinta-feira. Na reunião, Santos vai apresentar a campanha de "responsabilidade compartilhada", que pretende obter a colaboração de países produtores e consumidores de drogas para combater o narcotráfico. Representantes de Alemanha, Áustria, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Portugal, Reino Unido e Rússia vão participar do encontro. "Queremos mandar a mensagem de que todas as entidades devem trabalhar contra o tráfico de drogas", afirmou o vice-presidente colombiano, advertindo sobre o aumento "dramático" do consumo de drogas na Europa, principalmente no Reino Unido e na Espanha. Santos explicou que é preciso que os consumidores saibam que, "quando cheiram uma carreira de cocaína, ela está manchada de sangue", e que é assim que se financia grupos terroristas e se contribui para a destruição de florestas. Em Londres, o vice-presidente vai estar acompanhado por cinco mulheres colombianas vítimas de diferentes incidentes cuja origem é o tráfico de cocaína, ou porque foram feridas pelo terrorismo, ou se viram obrigadas a deixar o local onde moravam, ou foram seqüestradas por algum grupo. O testemunho dessas mulheres vai contribuir para "visualizar" a importância da luta contra a droga. Santos alertou sobre o risco de que a cocaína seja vista como uma "droga champanhe", alegre e aparentemente menos perigosa para o cérebro que as sintéticas e que não está vinculada à Aids, como a heroína.

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