Bogotá solta rebeldes para negociação

?Karina? e ?Olivo Saldaña? servirão de ?gestores da paz?, ajudando companheiros das Farc a se desmobilizarem

AP e Efe, Bogotá, O Estadao de S.Paulo

06 de março de 2009 | 00h00

O governo colombiano anunciou ontem que libertará dois guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para servirem de "gestores da paz". A guerrilheira Elda Neyis Mosquera, conhecida como "Karina", e Raúl Agudelo, o "Olivo Saldaña", serão soltos - apesar de não terem suas penas suspensas - para incentivarem e ajudarem companheiros que querem se desmobilizar, segundo o ministro do Interior e Justiça, Fabio Valencia Cossio. "Eles atuarão como gestores da paz, assumindo todas as responsabilidades e deveres dessa importante tarefa", disse Cossio. O anúncio das libertações causou polêmica na Colômbia - principalmente por causa de Karina. Considerada uma das guerrilheiras mais sanguinárias das Farc, ela havia sido sentenciada a 33 anos de prisão por ter liderado um ataque a um posto da polícia do Departamento de Caldas que matou 13 policiais e 3 civis em 2000. Ex-comandante da Frente 47 das Farc, Karina entregou-se para autoridades colombianas em maio de 2008, dizendo que seu acampamento estava sofrendo muita pressão do Exército. Recentemente, ela passou a fazer apelos para que seus antigos companheiros também abandonem as armas. Saldaña foi capturado pelo Exército em 2004 e há dois meses admitiu a responsabilidade em oito assassinatos e oito sequestros. Em 2005, ele foi libertado temporariamente para ajudar na negociação da deserção de 70 guerrilheiros e mais tarde fundou na prisão o movimento Mãos pela Paz, que reúne 700 prisioneiros que dizem não querer voltar para as Farc. Segundo Cossio, os dois guerrilheiros expressaram "formalmente sua vontade de contribuir com a aplicação efetiva do direito internacional humanitário, além de seu compromisso de renunciar a toda atividade ilegal". O governo colombiano não anunciou a data em que eles deixarão a prisão, mas disse que ambos serão acompanhados pelo instituto penitenciário colombiano. Se não seguirem as regras impostas para sua libertação, voltarão para trás das grades. Organizações de defesa dos direitos humanos protestaram contra as libertações. Elas alegam que as vítimas desses guerrilheiros e seus parentes têm o direito de vê-los punidos por seus crimes. OUTRAS LIBERTAÇÕESEm julho de 2007, o governo colombiano soltou, a pedido da França, o guerrilheiro Rodrigo Granda, conhecido como o "chanceler das Farc", para que ele colaborasse nas negociações dos reféns políticos da guerrilha (entre eles, a ex-senadora Ingrid Betancourt, de origem franco-colombiana). Granda, porém, voltou para as fileiras guerrilheiras. Em 2004, o líder do Exército de Libertação Nacional (ELN), Francisco Galán, foi libertado para negociar com o governo. As negociações foram realizadas em Cuba, mas os dois lados ainda não conseguiram chegar a um acordo.

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