REUTERS/Baz Ratner/File photo
REUTERS/Baz Ratner/File photo

Boicote do Airbnb a Israel provoca revolta na Cisjordânia

A empresa de aluguel por temporada decidiu suspender da sua plataforma os anúncios de casas localizadas em assentamentos israelenses na Cisjordânia

O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2018 | 00h32

A empresa de aluguel por temporada Airbnb decidiu colocar a mão no vespeiro da disputa entre israelenses e palestinos. Nesta segunda-feira, 19, suspendeu da sua plataforma os anúncios de casas localizadas em assentamentos de Israel na Cisjordânia. A decisão veio, segundo a companhia, “depois de extensas consultas a especialistas sobre o conflito árabe-israelense”.

As colônias judaicas no território, reivindicado por palestinos como terra de um eventual Estado próprio e ocupado militarmente por Israel, estão no centro da disputa cuja primeira guerra já completa 70 anos.

Segundo a empresa, a sua decisão afetará cerca de 200 propriedades da sua plataforma. Não há detalhes sobre quando estas remoções acontecerão. Em comunicado, a Airbnb disse que, embora seja permitida pela legislação americana de manter negócios na Cisjordânia, resolveu mudar sua política por uma "questão de responsabilidade".

"Devemos considerar o impacto que temos e agir com responsabilidade. Concluímos que deveríamos remover anúncios em assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada que estão no centro da disputa entre israelenses e palestinos", escreveu a empresa.

Nos últimos anos, a Airbnb foi repetidamente criticada por não mencionar no seu site que as propriedades oferecidas para aluguel em assentamentos estavam localizadas em terras reivindicadas por palestinos. Autoridades palestinas e ONGs pressionavam que a empresa mudasse os parâmetros.

Não ficou claro também se a nova política da Airbnb poderia afetar anúncios de casas em Jerusalém Oriental, anexada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Cerca de 500 mil israelenses hoje vivem na Cisjordânia e no setor oriental de Jerusalém, ao lado de cerca de 3 milhões de palestinos.

O Conselho de assentamentos Yesha disse em resposta que “uma empresa que não tem escrúpulos em alugar apartamentos em ditaduras ao redor do mundo e em lugares que não têm relação com direitos humanos está isolando Israel. Isso só pode ser resultado de anti-semitismo ou de rendição ao terrorismo - ou ambos”.

O ministro do Turismo de Israel, Yariv Levin, classificou a iniciativa da Airbnb de “a mais miserável das capitulações infelizes aos esforços de boicote” promovidos contra os assentamentos israelenses na Cisjordânia. 

Falando no Canal 13 da televisão israelense, ele disse que o governo Israel não foi avisado da decisão com antecedência e que responderia apoiando ações judiciais por parte de proprietários de casas nas colônias contra a Airbnb nos tribunais dos EUA.

Oded Revivi, prefeito do assentamento de Efrat, na Cisjordânia, disse que a decisão da Airbnb é contrária à missão declarada da empresa de ajudar "a unir as pessoas no maior número possível de lugares ao redor do mundo". “Quando eles tomam essa decisão, se envolvem com política, o que vai derrotar o objetivo real da empresa”, disse Revivi.

Já Waleed Assraf, chefe de um grupo palestino contra assentamentos dirigido pela Organização para a Libertação da Palestina, elogiou a decisão da Airbnb. “Caso outras empresas sigam o exemplo”, disse ele, “isso contribuirá para alcançar a paz”. / REUTERS

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