Boicote mexicano a produtos americanos surte pouco efeito

O boicote dos mexicanos ao comércio americano, feito com o intuito de apoiar os esforços pela legalização de imigrantes nos EUA e batizado de "Um dia sem gringos", parece ter tido pouco impacto, afirmou nesta terça-feira o chefe da Câmara Americana de Comércio com o México, Larry Rubin."Mesmo sem termos números conclusivos, acho que não houve muitos efeitos negativos", afirmou por telefone Rubin, que está em Washington com outros negociadores que fazem lobby para uma compreensível reforma imigrante. "Nós basicamente (...) pensamos que isso (as manifestações) foi mais simbólico." Os protestos de segunda-feira foram planejados para coincidir com o boicote batizado de "Um dia sem imigrantes", quando centenas de milhares de imigrantes que vivem nos Estados Unidos faltaram às aulas e aos serviços em várias cidades do país.Rubin disse que o boicote imprudentemente atingiu alguns dos maiores aliados dos imigrantes. Ele notou que corporações norte-americanas fizeram ativamente lobby a favor da reforma imigrante no Congresso - incluindo a legalização de muitos dos estimados 11 milhões de imigrantes sem documento dos EUA.É difícil medir o impacto do boicote porque o comércio normalmente é reduzido a apenas uma fração do normal no feriado do Dia do Trabalho no México.O comércio na Cidade do México foi aparentemente funcional como de costume nas segundas-feiras, com clientes entrando nas lojas do Wall-Mart e nos restaurantes do McDonald´s. Ainda assim houve relatos de ativistas que bloquearam a entrada de ao menos uma loja norte-americana. Em algumas cidades mexicanas, no entanto, a campanha pelo boicote - amplamente promovida pela internet e por mensagens de e-mail - não passou de virtual.Várias centenas de manifestantes pró-boicote bloquearam na segunda-feira veículos que trafegavam na cidade fronteiriça de Tijuana. Os manifestantes agitavam bandeiras, gritavam palavras de ordem e forçavam muitos motoristas a dar meia volta. Na cidade central de Toluca, 55 quilômetros a oeste da Cidade do México, um grupo de índias da etnia Mazahua entraram em um McDonald´s com comida caseira e encorajaram os consumidores a comê-la no lugar dos hambúrgueres. Elas também passaram panfletos pedindo o apoio dos clientes da lanchonete aos protestos.

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