Boko Haram ameaça vender nigerianas sequestradas

O líder extremista islâmico que comandou o sequestro em massa de centenas de adolescentes no nordeste da Nigéria, Abubakar Shekau, apareceu em um vídeo ameaçando vender as garotas em um mercado. A gravação foi divulgada pelo grupo Boko Haram nesta segunda-feira às agências de notícias internacionais.

AE, Agência Estado

05 Maio 2014 | 16h09

"Elas são escravas e eu vou vendê-las, porque eu tenho mercado para vendê-las", disse Shekau no vídeo, gravado na língua hauçá, falada no norte da Nigéria, fazendo uma referência ao antigo costume jihadista de escravizar mulheres capturadas em uma guerra religiosa.

Não ficou claro se o vídeo foi feito antes ou depois que surgiram relatos que algumas das meninas foram forçadas a se casar com seus sequestradores - que teriam pago cerca de US$ 12 por cada um dos casamentos. Essas denúncias foram feitas na semana passada por ONGs de direitos humanos que atuam no país e ainda não foram confirmadas pelas autoridades.

No mesmo vídeo, Shekau assumiu a responsabilidade pelo sequestro, que ocorreu em 15 de abril, e ameaçou atacar mais escolas e raptar outras garotas. Das mais de 300 garotas sequestradas, 276 permanecem em cativeiro e 53 conseguiram escapar.

Hoje, um intermediário que havia dito que o Boko Haram está pronto para negociar o regaste das meninas também afirmou que duas das meninas morreram de picada de cobre e cerca de 20 delas estão doentes. O homem, um estudioso islâmico que falou à reportagem sob a condição de anonimato, disse que as gatoras cristãs foram forçadas a se converterem ao islamismo.

O sequestro em massa e o fracasso dos militares para resgatar as adolescentes despertou indignação nacional com protestos nas principais cidades contra o governo. Os manifestantes acusam o presidente Goodluck Jonathan de ser insensível ao sofrimento das garotas e das suas famílias. Fonte: Associated Press.

Mais conteúdo sobre:
Nigéria sequestro estudantes

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.