Bola de fogo rompe o World Trade Center

Mal acabara de ligar o computador para enviar a primeira matéria para os editores da Agência Estado, quando uma bola de fogo e fumaça rompeu da torre norte do World Trade Center. Da janela do meu edifício, localizado na entrada da ponte do Brooklyn e de frente para o distrito financeiro de Manhattan, no extremo Sul da ilha, a vista tem como ponto alto as duas torres do WTC e o histórico Woolworth Building. Assustado, deixei o computador e corri para a janela. Pude ver a cena trágica do impacto da primeira explosão. Liguei imediatamente para a redação em São Paulo e comecei a relatar o que estava acontecendo, quando, instantes depois, o segundo avião colidiu-se com a outra torre. Parecia cena de cinema. Era muito chocante para ser real. Não acreditava no que os meus olhos haviam visto, pensei estar imaginando coisas. Mas a labareda de fogo na segunda torre do WTC indicava o contrário. Liguei a televisão. As imagens já estavam no ar. Até a primeira explosão, achava que um avião pequeno podia ter entrado em pane e se chocado com o WTC. Mas somente quando vi a segunda explosão é que percebi que aquilo tudo não era um simples acidente. Não demorou muito para que a fumaça, que encobria Wall Street e toda a parte "baixa" de Manhattan, atingisse o outro lado da ponte do Brooklyn. Desci do prédio e tentei atravessar a ponte, pois os serviços de metrô e ônibus foram interrompidos, mas a Polícia fechou completamente o acesso a parte "baixa" de Manhattan. Na realidade, as pessoas estavam sendo evacuadas de todos os edifícios próximos do WTC. Havia ainda muito medo de outros ataques, inclusive ataques suicidas de bombas. As pessoas que atravessavam a ponte e chegavam na parte "segura" do Brooklyn estavam bastante nervosas e em estado de choque. Paramédicos atendiam as pessoas em ambulâncias de prontidão na entrada da ponte. Logo que as duas torres desabaram, uma grande nuvem cinzenta de pó e fumaça enguliu o extremo Sul da ilha de Manhattan, fazendo desaparecer um dos mais famosos "skylines" do planeta. O mais impressionante é ver o vazio que ficou. É saber que as torres gêmeas do World Trade Center, sempre imponentes e lembrança constante de que o centro do poder financeiro mundial mora ao lado, já não fazem mais parte da paisagem da minha janela.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.