David Mercado/Reuters
David Mercado/Reuters

Bolívia abre hospital exclusivo para grávidas com covid-19

Reestruturado, centro de saúde em La Paz deve ajudar a combater pandemia que já deixou 7 mil mortos no país

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2020 | 03h00

LA PAZ - Após duas semanas sem atendimentos devido a um contágio generalizado de coronavírus entre pacientes e funcionários, o Hospital da Mulher de La Paz, na Bolívia, reabriu suas portas e agora funciona como um centro exclusivo para grávidas com covid-19.

"Falamos com o Serviço Departamental de Saúde (de La Paz) para propor reestruturar o hospital, recuperar as pessoas e voltá-lo exclusivamente para a atenção das mulheres grávidas", declarou à Agência France Press o diretor do centro de saúde, Yuri Pérez.

Em meados de agosto, o Hospital da Mulher registrou uma infecção generalizada por covid-19. Com um número insuficiente de médicos, enfermeiras e equipe de apoio para atender os pacientes, precisou fechar imediatamente.

O contágio aconteceu porque grande parte das mulheres que precisavam de atendimento médico tinham covid-19, mas eram assintomáticas. Autoridades detectaram 21 pacientes com o vírus.

Com 11 milhões de habitantes, a Bolívia vive uma fase crescente da pandemia, com 120 mil casos e mais de 7 mil mortos.

"Toda a emergência virá para cá em casos excepcionais, mas o hospital vai priorizar o atendimento para a proteção do binômio materno-fetal", afirmou a médica Débora Rodríguez, responsável pelo Serviço Departamental de Saúde de La Paz.

O hospital foi preparado para enfrentar a pandemia e prevenir novas infecções. Fitas amarelas coladas no chão demarcam os acessos às áreas de neonatologia e terapia intensiva (UTI). Cortinas de plástico transparente com gigantescos "X" em vermelho funcionam às vezes como paredes, proibindo a passagem para determinadas áreas e obrigando a circulação por espaços higienizados. Além disso, os profissionais de saúde do hospital receberam trajes de biossegurança para sua proteção.

O hospital viveu momentos difíceis no início de agosto. A vida dos bebês prematuros correu risco pela escassez de oxigênio medicinal devido aos bloqueios nas estradas.

"Poderei ter o meu bebê"

Durante 12 dias, aliados do ex-presidente Evo Morales bloquearam importantes estradas do país para protestar pelo adiamento das eleições gerais, o que impediu a circulação de caminhões de alimentos e suprimentos médicos.

Durante o período de desinfecção do hospital, as gestantes foram transferidas para outros centros de saúde, embora nem todas tenham recebido um atendimento adequado.

Algumas futuras mães expressam sua confiança em um hospital especializado.

"Estou com covid-19. Acabaram de detectar no hospital La Paz e não quiseram me atender. Estou com risco. Graças à Deus o Hospital da Mulher está atendendo e poderei facilmente ter o meu bebê", conta Yoselín Quisbert.

Assim como ela, outras grávidas fazem filas nas portas do hospital à espera de receber uma ficha que lhes garantirá um atendimento especializado.

À beira das lágrimas, Marisol Huanc expressa sua preocupação diante da possibilidade de perder o filho que está para nascer. "O bebê já não está se movendo muito bem", disse. O hospital é sua única esperança. / AFP

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