Bolívia adia negociações para solucionar crise

Após quatro dias sem chegar a acordo sobre convocação de referendo e imposto sobre gás, governo e oposição suspendem conversas até quinta-feira

AFP E EFE, O Estadao de S.Paulo

23 de setembro de 2008 | 00h00

O governo e a oposição na Bolívia não conseguiram chegar a um acordo na noite de domingo para pacificar o país e pôr um fim à crise política que deixou pelo menos 19 mortos em três semanas. Após quatro dias de intensas negociações, o presidente Evo Morales e os governadores de quatro dos nove departamentos bolivianos decidiram suspender as conversas até quinta-feira.Apesar das acusações do governo de que a oposição não está disposta a negociar, o governador de Tarija, Mario Cossío, garantiu o compromisso dos opositores de encontrar uma solução para o problema. Além dele, participaram das conversas os governadores de Santa Cruz, Beni e Chuquisaca. Horas antes, o vice-ministro de Descentralização, Fabián Yaksic, acusou os governadores de impedir um acordo antes que Evo viajasse para a Assembléia-Geral da ONU, em Nova York.De acordo com Cossío, duas comissões técnicas - uma sobre o projeto da nova Carta e outra sobre a distribuição do imposto sobre gás e petróleo - continuarão trabalhando e deverão apresentar suas conclusões no dia 25. O opositor afirmou que ainda há divergências entre as duas partes, principalmente referentes às competências que cada região autônoma terá. A oposição também é contra a exigência do governo de que o Congresso aprove a convocação do referendo constitucional até 1º de outubro. Segundo os opositores, essa data não permite realizar as mudanças no texto reivindicadas por eles.Outro motivo do impasse é a decisão do governo de nomear um militar para governar o Departamento de Pando, cujo líder, Leopoldo Fernández, foi preso na semana passada e acusado de genocídio pela morte de camponeses em confrontos entre a oposição e partidários de Evo. Ontem, manifestantes protestaram na frente da prisão onde Fernández é mantido, em La Paz, exigindo sua transferência para um cárcere de segurança máxima. A crise no país fez com que a presidente chilena, Michelle Bachelet, convocasse para amanhã uma reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) durante o encontro na ONU.

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