Martín Alipaz/EFE
Martín Alipaz/EFE

Bolívia anuncia saída de médicos cubanos do país e ilha denuncia detenções

De acordo com o governo cubano, seis integrantes da Brigada Médica na Bolívia teriam sido presos sob acusações de financiarem protestos

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2019 | 21h28

HAVANA – Cuba denunciou nesta sexta-feira, 15, a detenção “injusta” da chefe da sua brigada médica na Bolívia, Yoandra Muro, e de outro funcionário, totalizando seis membros da brigada médica cubana presos no país. “Queremos denunciar que neste momento (…) foi detida injustamente a coordenadora da brigada médica cubana na Bolívia, Yoandra Muro, junto com o (funcionário) de logística Alfonso Pérez”, afirmou à imprensa Eugenio Martínez, diretor para América Latina na chancelaria cubana.

De acordo com Martínez, Muro foi detida em sua casa em La Paz, e “curiosamente” no momento da prisão, estava estacionado “nas imediações desta residência um carro da Embaixada dos Estados Unidos”. 

Outros quatro membros desta brigada médica foram detidos na quarta-feira em El Alto, sob a “presunção caluniosa” de que incentivavam e financiavam os protestos na Bolívia. Assim, exigiu-se a La Paz que “sejam liberados de imediato”, afirmou a chancelaria cubana mais cedo em uma declaração escrita.

A nota também detalhou que os quatro cubanos, entre eles dois médicos, foram presos quando retornavam à sua residência “com o dinheiro tirado de um banco para pagar serviços básicos e aluguéis dos 107 membros da Brigada Médica” que a ilha mantém em El Alto, cidade vizinha a La Paz.

Diante “das circunstâncias descritas”, confirmou-se que o governo cubano “decidiu o retorno imediato à pátria dos colaboradores cubanos”. Martínez confirmou que os quatro funcionários detidos inicialmente permanecem presos, e denunciou que nesta sexta, em Santa Cruz, oficiais da Interpol registraram a existência de uma casa de médicos cubanos acusados de guardar armas, sem que encontrassem nada.

Na manhã desta sexta, a nova chanceler da Bolívia, Karen Longaric, havia informado que Cuba iria repatriar a partir desta data os 725 “funcionários de cooperação” que o país tem. A chancelaria cubana ainda afirma que representantes da polícia e do Ministério Público bolivianos “visitaram as sedes da Brigada Médica em El Alto e La Paz e corroboraram, a partir de documentos, nomes e dados bancários, que a quantia de dinheiro coincidia com a quantidade extraída regularmente todos os meses”.

A venda de serviços profissionais, fundamentalmente médicos, é a principal fonte de renda para Cuba, tendo somado mais de US$ 6 milhões no ano passado. A ilha acusa os Estados Unidos de difamarem e sabotearem essa cooperação médica.

A saída dos médicos cubanos da Bolívia ocorre após a decisão anunciada na terça passada pelo governo de encerrar os convênios com a ilha para o envio de brigadas médicas. Nesta sexta, os bolivianos também anunciaram o rompimento com o governo da Venezuela, ao solicitarem a saída dos diplomatas venezuelanos do país.

O rompimento foi feito pelo novo governo boliviano, sob a orientação da presidente interina Jeanine Áñez, após a renúncia do presidente Evo Morales, sob acusação de fraude nas eleições de 20 de outubro, que o reelegeram ainda em primeiro turno para o quarto mandato consecutivo. A nova administração boliviana tenta se descolar das medidas tomadas pelo ex-presidente, de esquerda, que pregava o bolivarianismo e alianças com demais países latinos sob essa bandeira. / AFP

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