Hans Punz/AP
Hans Punz/AP

Bolívia apresenta reclamação na ONU sobre desvio do avião de Morales

Portugal, França, Itália e Espanha proibiram o voo em seus espaços aéreos pela suspeita de que Snowden estivesse a bordo

O Estado de S. Paulo, Agência Estado

03 de julho de 2013 | 12h17

LA PAZ - O governo da Bolívia apresentou uma reclamação nesta quarta-feira, 3, junto à Organização das Nações Unidas (ONU) e pretende fazer outra à Comissão de Direitos Humanos da instituição contra os países europeus que fecharam seu espaço aéreo para a passagem do presidente Evo Morales.

"Como governo, estamos apresentando reclamações em todo o mundo", afirmou o vice-presidente Alvaro Garcia. "Já apresentamos a queixa à ONU e nas próximas horas faremos uma reclamação ao Alto Comissariado de Direitos Humanos da organização", declarou, em relação ao que chamou de violação dos direitos internacionais, que colocaram a vida do presidente em risco.

O governo boliviano informou que Morales estava viajando de Moscou para a Bolívia quando seu avião foi forçado a pousar em Viena, na Áustria, por causa da suspeita de que o ex-técnico da CIA Edward Snowden - que divulgou a existência de programas de vigilância secretos do governo dos EUA - estivesse a bordo da aeronave.

O avião decolou na noite de terça-feira de Moscou, onde Snowden está há dias, horas depois de Morales dizer que seu país poderia estudar a concessão de asilo político ao americano, embora não tenha recebido um pedido formal.

Segundo o governo boliviano, enquanto estava no ar, o piloto soube que Portugal se recusou a permitir que a aeronave pousasse em seu território para reabastecer e que, a seguir, França, Itália e Espanha proibiram o avião de entrar em seus espaços aéreos.

Durante o pouso em Viena, a polícia fez buscas na aeronave e não encontrou sinais de Snowden. Só então os países europeus autorizaram o uso de seus espaços aéreos.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, exigiu uma explicação sobre o incidente, que segundo ele colocou em risco a vida de Morales. "Nada justifica tal ato de desrespeito em relação à mais alta autoridade de um país."

O governo boliviano acusou os EUA de ordenar que os países europeus bloqueassem o avião de Morales e acusou os governos europeus de "agressão" por impedir o voo.

O embaixador da Bolívia na ONU, Sacha Llorenti, afirmou que foi um "ato de agressão" e que os quatro países violaram a lei internacional. Llorenti disse que "as ordens vieram dos Estados Unidos", mas outros países violaram a imunidade do presidente e de seu avião, colocando sua vida em risco".

A União de Nações Sul-Americanos (Unasul) vai emitir uma declaração sobre o incidente diplomático, disse uma fonte do governo do Peru, que preside o bloco. Além disso, uma reunião de emergência deve ser convocada./ REUTERS, AP e DOW JONES

Tudo o que sabemos sobre:
BolíviaONUEvo Morales

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.