Bolívia: brasileiros acusados são queimados vivos

Dois brasileiros que teriam matado a tiros três bolivianos na segunda-feira foram retirados da delegacia da cidade de San Matías, na fronteira da Bolívia com o Brasil, espancados e queimados vivos na terça-feira por um grupo de cerca de 400 pessoas, informaram autoridades da cidade.

AE, Agência Estado

15 de agosto de 2012 | 16h34

Os brasileiros mortos foram Rafael Max Diez, de 27 anos, acusado de ter feito os disparos, e Jefferson Castro de Lima, de 22. "Os brasileiros dispararam contra um grupo de cinco pessoas, das quais três morreram e uma ficou gravemente ferida", disse o vice-governador de San Matías, Matías Gil, em entrevista por telefone à Associated Press.

Segundo ele, há indícios de que o crime foi motivado pelo acerto de contas da venda de motocicletas, aparentemente roubadas. Matias Gil disse que os brasileiros são presidiários que fugiram de prisões brasileiras e que se refugiaram em San Matias.

"A fúria foi incontrolável, a polícia não pôde opor nenhuma resistência. Os policiais não quiseram entregar os detidos e a fúria da multidão apenas aumentou", disse o comandante policial da região, o coronel Lily Cortez. O fiscal Isabelino Gómez disse que a multidão era formada por 400 pessoas e invadiu a delegacia armada com facões, paus, pedras e coquetéis Molotov.

O prefeito de San Matías, Carlos Velarde, disse que a polícia fez disparos para tentar deter a multidão. Segundo ele, nos últimos tempos San Matías, que fica na fronteira com o Brasil, virou um local de refúgio para delinquentes vindos do Estado do Mato Grosso. San Matías fica na província de Santa Cruz.

"Vamos identificar os responsáveis (pelo linchamento) e processá-los", disse Cortez. O Consulado do Brasil em Santa Cruz informou que uma comissão irá a San Matías para recolher informações sobre o crime.

Sergio Ramos, um boliviano sobrevivente do tiroteio da segunda-feira, relatou nesta quarta-feira à emissora de televisão Red Uno de Santa Cruz que um grupo de bolivianos e brasileiros bebia cerveja e fazia piadas, quando Max Diez sacou o revólver e começou a atirar nos outros. "Eu só me salvei porque fingi estar morto", disse Ramos. Ele levou um tiro no braço.

"O linchamento foi uma barbaridade, mas as pessoas por aqui estão cansadas de tanta violência e insegurança, nenhuma autoridade toma conta desse município. Aqui os delinquentes fazem o que querem", disse o vereador Claudio Rojas. Segundo ele, os corpos dos dois brasileiros linchados foram entregues à polícia do Mato Grosso à meia noite da terça-feira.

San Matías é um município na fronteira com 15 mil habitantes, onde são frequentes acertos de contas entre quadrilhas de traficantes de drogas e ladrões de automóveis, tanto bolivianos quanto brasileiros. O município é um dos principais locais de saída da cocaína boliviana para o Brasil, via Mato Grosso.

Paulo Gomes, porta-voz da Polícia Federal brasileira no Estado de Mato Grosso, diz que automóveis e motos são roubados no Brasil e trocados por cocaína na Bolívia. Gomes disse que recentemente o governo brasileiro enviou soldados para a região.

As informações são da Associated Press.

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