REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Bolívia declara apoio a Maduro e denuncia tentativa de desestabilizar a Venezuela

Governo de Evo Morales disse que ingerência internacional tenta desacreditar a Constituição venezuelana e enfraquecer o governo; opositores pedem que governo retire embaixador de Caracas e rompa relações com o país

O Estado de S.Paulo

31 de março de 2017 | 11h03
Atualizado 31 de março de 2017 | 11h03

LA PAZ - Ao contrário de outros países da América Latina, a Bolívia expressou nesta sexta-feira, 31, seu "apoio incondicional" à Venezuela depois do o Tribunal Supremo do país caribenho assumir as funções do Legislativo. La Paz também denunciou uma ingerência internacional para tentar desestabilizar o governo de Nicolás Maduro.

O governo de Evo Morales, que está em Cuba para uma cirurgia na garganta, denunciou "um novo ataque que tenta dividir a democracia, desestabilizar o governo do presidente Nicolás Maduro e rejeitar a Constituição venezuelana".

No poder desde 2006, o esquerdista Evo é um grande aliado de Cuba e foi muito próximo ao falecido presidente venezuelano Hugo Chávez, antecessor e padrinho político de Maduro.

"Este tipo de ação somente atenta contra a unidade da América Latina e do Caribe e responde aos interesses extraterritoriais, com claros atos de ingerência que tornam vulneráveis o direito internacional e a convivência pacífica entre países irmãos", disse a chancelaria boliviana.

O Peru foi o primeiro país latino a reagir à crise na Venezuela, retirando de "maneira definitiva" seu embaixador no país. Mais tarde, o Brasil qualificou a situação como uma "ruptura da ordem constitucional". Já no fim do dia, o Chile chamou seu embaixador em Caracas para consultas.

Oposição. Senadores bolivianos do partido opositor Unidade Democrática (UD) pediram nesta sexta-feira ao presidente do órgão, José Alberto González, que o embaixador do país em Caracas seja convocado imediatamente.

Os senadores enviaram o pedido em uma carta endereçada a González na qual dizem considerar que o ocorrido no país "é uma abuso" e "a demonstração total de que a Venezuela hoje é uma ditadura".

"Como defensores da democracia, não podemos seguir dando colaborando com esses personagens que são autoritários, antidemocráticos e que hoje deixaram de lado a vontade popular da representação parlamentária", disse a senadora María Lourdes Landívar. "Não podemos nos calar diante de uma ditadura e diante do que está acontecendo na Venezuela."

Em sua conta no Twitter, o líder opositor Samuel Doria Medina - que disputou a última eleição presidencial contra Evo - afirmou que a decisão do TSJ produziu um "golpe de Estado" na Venezuela, o que considerou "um caminho para o populismo".

"Agora dão um golpe na democracia anulando o Parlamento. Maduro, o tirano, concentra todo o poder. Aqui, buscam o mesmo?", escreveu Doria Medina.

O senador Oscar Ortiz, também da UD, comparou a situação atual na Venezuela com o fechamento do Parlamento e de órgãos judiciais no Peru em 1992, quando o presidente Alberto Fujimori aplicou o que ficou conhecido como fujimoraço.

"Peço ao governo da Bolívia como senador que não seja cúmplice de um golpe de Estado, que de uma vez por todas rompam com esse regime que não só tornou-se autoritário, como ditatorial", disse Ortiz. / AFP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.