Alejandro Pagni/AFP
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Bolívia denuncia Evo no Tribunal Penal Internacional por bloqueio de estradas

Governo da presidente interina Jeanine Áñez alega que cerco causou a morte de pelo menos 40 pessoas 

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2020 | 22h42

LA PAZ - O governo da Bolívia denunciou o ex-presidente Evo Morales ao Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, por supostos “crimes contra a humanidade” pelo bloqueios de estradas realizados por seus partidários no mês passado. 

“A Procuradoria-Geral do Estado está no TPI de Haia, apresentando a denúncia por crimes contra a humanidade contra Evo Morales e outros”, escreveu no Twitter a presidente interina do país, a conservadora Jeanine Áñez.

Segundo ela, a denúncia é “pelo cerco a cidades que causou mais de 40 mortes por falta de oxigênio medicinal” em meio à pandemia do coronavírus, em referência aos 12 dias de bloqueios das estradas bolivianas, em agosto, coordenados por aliados de Evo durante os protestos contra um possível adiamento das eleições.

O governo responsabiliza o ex-presidente por ter ordenado os bloqueios para obrigar o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) a fixar a data das eleições, já adiadas três vezes pela pandemia.

O TSE fixou de forma definitiva para 18 de outubro as eleições, pondo fim aos bloqueios nas estradas, que haviam causado uma escassez de alimentos e medicamentos, segundo o governo de Áñez. 

A Bolívia, com 11 milhões de habitantes, registra 118.781 casos de coronavírus e 5.288 mortes. Nem Evo ou seu partido, o Movimento pelo Socialismo (MAS), comentaram a denúncia, que se junta a outras já apresentadas pelo atual governo conservador contra o ex-presidente, entre elas a de supostos envolvimentos de Evo com menores. 

O MAS afirma que essas denúncias buscam somente provocar um impacto eleitoral. Os partidários de Evo disseram que as sucessivas tentativas de adiar as eleições afetaram o candidato presidencial do MAS, Luiz Arce, que está empatado com o ex-presidente centrista Carlos Mesa. Em terceiro lugar está Añez, com 12%.

O ex-presidente, que governou a Bolívia por quase 14 anos, renunciou em novembro, em meio a protestos da oposição que denunciavam uma fraude eleitoral a seu favor. Evo se exilou no México e depois, na Argentina, onde se estabeleceu. / AFP

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