Bolívia e Chile firmam acordo

Cooperação no setor de defesa marca virada na relação

REUTERS E ASSOCIATED PRESS, O Estadao de S.Paulo

17 de junho de 2008 | 00h00

Bolívia e Chile firmaram ontem um histórico acordo de defesa - o primeiro desde o fim da Guerra do Pacífico (1879-1883). O acordo foi discutido num encontro entre o ministro de Defesa chileno, José Goñi, e seu colega boliviano, Walker San Miguel, em La Paz. Num memorando de entendimento, os representantes dos dois países se comprometeram a ''trocar informações em matéria de defesa e de operações de paz'', desenvolver uma cooperação ''de interesse mútuo'' na indústria bélica e manter de canais oficiais de diálogo sobre o tema.''Esse é um acontecimento histórico'', afirmou o ministro boliviano após o encontro. ''Esperamos que neste século haja uma melhora (nas relações) entre nossos países.'' Na Guerra do Pacífico, a Bolívia perdeu para o Chile a sua saída para o mar, o que aumentou a rivalidade entre La Paz e Santiago. Em 2003, a decisão do então presidente boliviano Gonzalo Sánchez de Lozada de exportar gás para o Chile desatou uma onda de protestos violentos que deixou mais de 60 mortos e terminou com a renúncia dele.Os dois países romperam relações diplomáticas em 1978, quando fracassaram as negociações sobre a demanda boliviana de uma saída para o mar. As relações, porém, melhoraram muito entre os governos de Evo e da presidente do Chile, Michelle Bachelet.Agora, ambos negociam uma agenda de 13 pontos, entre os quais está a demanda marítima da Bolívia.Ontem mesmo, o vice-chanceler chileno, Alberto Van Klaveren, viajou a La Paz para tratar de temas ligados a essa agenda de cooperação. No ano passado, os dois Ministérios de Defesa negociaram um intercâmbio acadêmico-militar, além de apoio mútuo em caso de catástrofes naturais, como enchentes e terremotos.LUGONo fim de semana, Evo encontrou-se com o presidente eleito do Paraguai, o ex-bispo Fernando Lugo. Ambos participaram - juntamente com o atual presidente paraguaio, Nicanor Duarte - das comemorações dos 73 anos do fim da Guerra do Chaco (1932-1935), travada entre Paraguai e Bolívia, que deixou quase 100 mil mortos.

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