Bolívia expropria empresas de energia elétrica

O presidente da Bolívia, Evo Morales, nacionalizou neste sábado duas empresas distribuidoras de energia elétrica da companhia espanhola Iberdrola, em uma cerimônia pública. Morales emitiu um decreto que autoriza a tomada de controle acionário da Empresa de Electricidad de La Paz (Electropaz) e da Empresa de Luz y Fuerza de Oruro (Elfeo), que fornece eletricidade no departamento (equivalente a Estado) de Oruro, na região andina do país. Em cerimônia no palácio de governo, Evo também anunciou a expropriação de uma empresa de investimentos e de uma provedora de serviços que igualmente pertencem à gigante espanhola da eletricidade na Bolívia.

AE, Agência Estado

29 de dezembro de 2012 | 16h21

Evo disse que foi "forçado a tomar esses passos" para garantir que o fornecimento de energia permaneça "igual" nas regiões de La Paz e Oruro. Soldados ocuparam as instalações das empresas distribuidoras, que foram marcadas com cartazes nos quais se lê: "Nacionalizada".

O decreto firmado por Evo também prevê que a Iberdrola receba indenização pelas duas companhias, após uma auditoria independente ser contratada e em 180 dias fazer um estudo para avaliar os preços das ações das duas empresas nacionalizadas. Consultada pela Associated Press na Espanha, a Iberdrola não respondeu aos pedidos de entrevista.

Em maio, Evo nacionalizou a transmissora de energia Transportadora de Electricidad, da empresa espanhola Red Eléctrica, que controla 74% da transmissão de energia na Bolívia.

Após a nacionalização da Red Elétrica, o governo espanhol disse que havia recebido garantias da Bolívia de que não ocorreriam mais expropriações. Em agosto, o chanceler espanhol José Manuel García-Margallo disse que as empresas espanholas que operavam na Bolívia precisavam de segurança para seus investimentos.

Desde seu primeiro mandato em 2006, Evo nacionalizou uma série de empresas de energia e petróleo, renegociando contratos com uma dezenas de petrolíferas estrangeiras, entre elas Repsol, Petrobras, BG e Total. Em 2010, ele estatizou quatro geradoras de energia, que pertenciam à francesa Suez.

Mas Evo também lançou nacionalizações em outros setores da economia. Em 2009 ele estatizou a maior operadora de telefonia, que era controlada por capitalistas italianos. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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